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Santos, SP/

17/04/2011

Transporte hidroviário em discussão – A Tribuna – 17/4/2011

Publicada em:
A Tribuna, 17/4/2011, domingo, página A-7

Codesp sugere o lançamento de uma licitação para realizar um estudo mais aprofundado sobre a navegabilidade dos rio na Baixada

A audiência pública aconteceu na ACS e foi coordenada pela deputada estadual Telma de Souza

SANDRO THADEU

DA REDAÇÃO

O complexo hidroviário da Baixada Santista possui cerca de 200 quilômetros de extensão, sendo 35 quilômetros com navegabilidade plena sem restrições. Por esse motivo, possui "um potencial espetacular" para o transporte de cargas, passageiros e turismo, conforme avaliação inicial de técnicos da Codesp.

Com base nessas informações preliminares, a estatal que administra o Porto de Santos sugere o lançamento de uma licitação para a realizar um estudo mais aprofundado sobre a navegabilidade, obras de adequação e o potencial econômico e logístico dos rios.

A empresa contratada definirá os potenciais regionais e vocações, apontando negócios e oportunidades. Tal serviço está estimado em R$ 1,5 milhão e pode ser concluído em até oito meses, conforme sugestão de cronograma elaborado pela empresa.

A ideia já conta com apoio das prefeituras locais, que acreditam que a gestão dessa futura estrutura possa ser feita por uma autoridade hidroportuária.

As constatações iniciais da Codesp foram apresentadas na sexta-feira, durante audiência pública da Frente Parlamentar Pró-Mobilidade Urbana de Santos e Região, da Assembleia Legislativa, coordenada pela deputada estadual Telma de Souza (PT).

Com 60 participantes, o evento ocorreu na Associação Comercial de Santos (ACS). Os principais impactos da implementação do transporte hidroviário são a diminuição do número de veículos, a redução da poluição atmosférica e a melhoria na logística de transporte e na qualidade de vida da população.

"De quatro anos para cá, estamos tentando retomar esse campo perdido. Precisamos de um trabalho minucioso para verificar o potencial e que tipo de navegação podem ser utilizados por esses rios. Nossas fantásticas hidrovias estão desprestigiadas", destacou o engenheiro da Codesp, João Gomes Ribeiro Neto.

Na visão de Gomes, o Governo Federal deveria ter uma política mais forte voltada a ampliar o transporte hidroviário, pois a maioria da rede fluvial brasileira é navegável.

DISCUSSÃO

Telma explicou que esse é um bom momento para reativar a discussão sobre o desenvolvimento das hidrovias. Nesta semana, os governos Federal e do Estado iniciaram as discussões para a modernização e aumento da capacidade da Hidrovia Tietê-Paraná. Serão investidos R$ 1 bilhão nessa obra.

A União entrará com R$ 623 milhões até 2014. Os recursos são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, que prevê o investimento de R$ 2,7 bilhões para a construção de sete hidrovias e 34 terminais.

Telma disse que, quando foi prefeita de Santos (1990-1993), havia desenvolvido um projeto para fazer o transporte de barcas de pessoas da Zona Noroeste para o Centro, mas não conseguiu implementá-lo durante o mandato.

Conforme a parlamentar, um dos objetivos da frente parlamentar é discutir soluções para desenvolver a mobilidade urbana de pessoas e cargas.

"Não houve um planejamento integrado para essa área na região", lamentou ela, que completou ontem um mês no mandato como deputada estadual.

Conforme o diretor comercial da Codesp, Carlos Kopittke, o desenvolvimento do transporte hidroviário é importante para diminuir o trânsito de caminhões em direção ao Porto de Santos.

Ele também é favorável a um debate regional sobre mobilidade urbana. "Santos está completamente congestionada, mesmo sem caminhões".

O diretor da ACS, Martin Aron, disse que a instituição está à disposição para colaborar com as discussões sobre o tema.

Próximo passo

Ponte Santos-Guarujá
A próxima audiência pública da frente parlamentar está prevista para 20 de maio, em local a ser definido. O tema principal deverá ser a ligação seca Santos-Guarujá

Queixa
Participantes do evento reclamaram da falta de uma discussão mais ampla sobre as soluções para melhorias do transporte de passageiros

Comparação
Um comboio de 10 mil toneladas transporta o equivalente a 278 caminhões de 36 toneladas cada. Para percorrer um percurso de 500 quilômetros, o mesmo comboio consome 21 T de combustível, enquanto a frota de veículos, 54 T

Pontes precisam ser adequadas na região

O trabalho inicial realizado portécnicos da Codesp apontou que há cinco pontes que deverão ser adequadas para não restringir o transporte hidroviário na região. Dois desses pontos estão nas passagens sobre o Rio Casqueiro (Via Anchieta e AvenidaBandeirantes).

Apesar desses obstáculos, o primeiro tenente da Capitania dos Portos do Estado de São Paulo e especialista em transporte hidroviário, James Batista, disse que isso não é umgrande empecilho a ser superado para viabilizar a passagem de cargas e, principalmente barcas de passageiros.

"Esse tipo de embarcação (passageiros) tem pouca altura fora da água. Por isso, teoricamente, é fácil resolver esse problema (...) As pessoas podem utilizar o transporte de passageiros com segurança e se deslocar para diferentes pontos da região, satisfazendo a necessidade local", destacou.

IMPACTO AMBIENTAL

A possibilidade de realizar o transportede cargas epassageiros por meio da hidrovia na região foi bem recebida pela chefe do escritório regional de Santos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria FurlanOberg. "Você não precisa mais destruir um manguezal para viabilizar essa ideia. Isso não vai ser nenhum entrave ao projeto. É possível fazer estruturas para atracação com baixo impacto ambiental", afirmou.

Reflexão
"Uma pessoa que sai de São Vicente para Santos para trabalhar gasta mais de ônibus do que de carro. É muito caro. Precisamos pensar em um transporte coletivo metropolitano eficiente e mais barato"
Ingrid Maria Furlan Oberg, chefe do escritório regional de Santos do Ibama

Confira a reprodução da reportagem
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