20/05/2011

Transformando ideias em realidade

Felipe Scherer - Sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática

Muito tem sido feito para sensibilizar empresários, gestores e empreendedores sobre a importância da inovação para ampliar a competitividade dos negócios.

Iniciativas de ordem governamental, por meio de incentivos financeiros, tributários e de capacitação, além de ações como as coordenadas por Sesi, Senai e Sebrae vêm criando um bom clima para que as empresas possam inovar cada vez mais.

No ímpeto de tornar a inovação uma realidade, os gestores têm lançado programas internos que nem sempre atendem as expectativas do modo desejado. Entendo que resultados aquém do esperado podem ser melhorados se alguns erros comumente observados forem corrigidos.

Deixar a criatividade fluir livremente é um mito relativo à inovação. Na prática, percebe-se que os mais inovadores são aqueles que deliberam os caminhos, estabelecendo uma estratégia de inovação.

Alguns especialistas acreditam que a criatividade e o caos são inseparáveis. No entanto, a experiência tem mostrado que criar direcionadores para que as pessoas na organização utilizem sua criatividade é o melhor caminho.

Para isso, a empresa deve definir sua estratégia de inovação estabelecendo tipos e temáticas desejadas para a área e comunicá-las aos colaboradores, criando um catalisador da criatividade e um guia para a busca de novas ideias.

Com a grande facilidade de utilização da intranet e internet nas empresas, muitas iniciam os programas de inovação abrindo um canal para colocação de ideias de maneira eletrônica.

Passado pouco tempo, percebem que poucas ideias são adicionadas e aquelas cadastradas têm baixo potencial inovador, muitas vezes servindo de canal de reclamações de questões relativas à chefia ou de remuneração.

A solução para esse erro é estabelecer um contexto fértil à inovação, que contemple práticas para criação de uma cultura corporativa voltada ao assunto.

Exigir números e projeções de mercado cedo demais também é perigoso. Esse é um erro comum das empresas que não querem errar. Solicitar dados como tamanho de mercado, fluxo de caixa descontado, taxa de retorno do investimento de uma ideia - essas exigências de informação, quando feitas antes do necessário, fazem com que somente as melhorias, não inovações genuínas, sejam aproveitadas.

Projetos com elevado grau de novidade e incerteza tendem a ser barrados porque muitas vezes a ideia que os origina não está consolidada ou conceituada de maneira a possibilitar as projeções citadas acima.

O resultado é o desenvolvimento de projetos com menor grau de incerteza e consequentemente menor potencial de geração de resultado.

A solução é simples. É preciso começar pelo enriquecimento da ideia a partir de informações qualitativas, do entendimento do benefício que a nova proposta apresenta e de suas alternativas concorrentes.

Em um segundo momento, à medida que as incertezas sobre a ideia vão sendo reduzidas, será possível realizar projeções. Há ainda outros cuidados necessários para se aumentar os resultados da atividade de inovação, mas o fundamental é combinar criatividade com gestão.

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Felipe Scherer é sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática

Fonte: Brasil Econômico - 20/5/2011
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