15/03/2011

Tragédia tende a reaproximar nações asiáticas

Editorial

Enquanto se dedica à dolorosa tarefa de localizar as vítimas do terremoto e do tsunami de sexta-feira passada, cujo número ainda é uma incógnita, a população japonesa tenta fazer as contas dos estragos na economia do país, afetada em praticamente todos os segmentos.

Cálculos preliminares do Credit Suisse indicam prejuízos de US$ 171 bilhões a US$ 183 bilhões, mas o saldo final pode ser bem maior, dependendo, por exemplo, da real extensão da tragédia em áreas extremamente sensíveis, como a geração energética de fonte nuclear.

Ainda não há uma avaliação dos riscos na central de Fukushima, a mais atingida pela catástrofe. Prevê-se que com centrais nucleares afetadas ou sob risco, as autoridades tenham de recorrer ao racionamento de energia, retardando a volta do parque fabril à normalidade.

A maior reconstrução do país depois da Segunda Guerra Mundial, quando sofreu o ataque nuclear a Hiroshima e Nagasaki, terá, na avaliação de analistas, participação menos expressiva dos Estados Unidos, ainda imerso na recuperação de sua própria economia.

Ao contrário do pós-guerra, quando os americanos patrocinaram o "milagre japonês", e ajudaram, com pesados investimentos, a alçar o Japão como a segunda economia global, a nova recuperação poderá ter a China como uma das protagonistas. Justamente o país que recentemente destronou o Japão da vice-liderança entre as mais importantes economias do planeta.

A necessidade de suprir demandas imediatas em infraestrutura deve contribuir para a superação de problemas históricos com a China, que tem plenas condições de atender essas necessidades, juntamente com a Coreia do Sul, país que firmou um acordo para fornecimento de gás aos japoneses a partir de abril.

O acordo pode significar o início do processo de fortalecimento das relações comerciais entre as três principais economia asiáticas e de um importante bloco econômico regional. Pode também representar o marco de um novo milagre japonês, desta vez patrocinado pelas potências asiáticas.

Fonte: Brasil Econômico - 15/3/2011
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