20/09/2010

TI exige mudanças no modelo de negócios

(*) João Andrade Pimentel

As empresas da área de Tecnologia da Informação têm vivenciado uma profunda mudança nos modelos de negócios, o que as leva a endereçar as necessidades dos clientes para um novo modelo.

Ao invés de pagar por cada ativo de TI (equipamentos/software/infraestrutura), muitas empresas romperam com a atual forma de consumo de soluções de tecnologia em todo o mundo e já adotam o modelo de negócios como serviço.

Se antes elas investiam em ativos para produção de energia elétrica interna para suas fábricas, hoje elas contratam energia das concessionárias locais como commodities. Esta mudança acontece em vários segmentos da economia mundial. E a tecnologia, hoje, já é consumida como serviço, assim como a energia elétrica, a água e o gás, por meio de pagamento mensal apenas pelo o que é usado – em tecnologia, o conhecido “as a service” (como serviço).

Esta é a tendência que acompanharemos ao longo dos próximos anos, convivendo com soluções adquiridas pelas empresas internamente no modelo tradicional, soluções hospedadas em Data Centers e soluções rodando em nuvem pública ou privada de forma híbrida: uma complementará a outra.

Atualmente, para viabilizar as soluções tecnológicas, o serviço que mais se destaca é o de Software como Serviço (SaaS – Software as a Service). Junto ao Cloud Computing, ambas tecnologias oferecem benefícios como investimento inicial nulo – o cliente não a compra, apenas paga para usá-la de acordo com a demanda.

Outras vantagens desse modelo: previsão dos custos em relação à tecnologia – conversão de investimentos em custos variáveis ou fixos mensalmente lançados como despesa. Ainda, contratação flexível e elástica de acordo com a necessidade do cliente. Tudo isso oferece significativa redução substancial em relação ao modelo tradicional de compra de ativos de tecnologia.

De acordo com o mais recente relatório do Gartner sobre o modelo SaaS, a previsão desse mercado de serviços para 2009 era de alcançar os U$ 7,5 bilhões, aproximadamente 18% a mais em comparação com 2008, quando a receita foi de US$ 6,4 bilhões. O instituto aponta ainda que a oferta de software como serviço crescerá constantemente até 2013, quando sua receita mundial alcançará os US$ 14 bilhões.

No mesmo estudo, o instituto afirma: "A adoção do modelo de implantação on-demand continuou a crescer à medida que os fabricantes ampliaram seus serviços por meio de alianças, ofertas de parceiros e, mais recentemente, oferecendo e promovendo o desenvolvimento da aplicação do usuário através das capacidades da Plataforma como Serviço (PaaS)".

Utilizar os serviços em “cloud computing” (computação na nuvem) significa basicamente manter seus dados e softwares em servidores disponibilizados em Data Centers espalhados geograficamente pelo mundo, sem a necessidade de saber exatamente onde, tendo flexibilidade e escalabilidade de usar mais serviços conforme o crescimento de demanda em TI da empresa.

Além de quebrar paradigmas, esta tendência agrega muita “inovação de valor“ ao mercado, uma vez que o cliente recebe pelo serviço contratado mais benefícios do que com o modelo tradicional, pagando muito menos. Este movimento é disruptivo, ou seja, modificará significativamente todo o cenário futuro da tecnologia, incluindo as formas de comercialização e de consumo de tecnologia. A otimização dos recursos/legados de TI segue o caminho da sustentabilidade e propicia ao planeta ganhos pelo menor consumo de energia elétrica e emissão de carbono.

O ecossistema de parceiros de tecnologia deve analisar suas reais competências e trabalhar com estratégias de colaboração, unindo competências complementares para os modelos de negócios emergentes e buscando o alinhamento às regras de negócios do cenário da nova era digital. Face às atuais demandas, os players de tecnologia mundial entenderam a necessidade da mudança de negócios e estão se reposicionando para ofertar modelos mais flexíveis e sustentáveis, utilizando software, infraestrutura e plataforma “as a service”.

* João Andrade Pimentel é diretor-geral da CorpFlex

Fonte: Segs - 5/4/2010
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