16/02/2011

Tecnologia que vira ciência que vira tecnologia

Luis Vicente Rizzo - Diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

É difícil pensar em tecnologia sem associar à ciência e vice e versa. Mas o mistério do ovo e da galinha de hoje em dia ganha mais facilidade de resolução, uma vez que a base tecnológica para a gestão de dados funcionais ao desenvolvimento de pesquisas científicas viabiliza cada vez mais rápidas e profundas mudanças.

O ritmo da evolução científica permite resultados em semanas que antes eram obtidos em anos.

Não nos surpreendemos mais com constatações desse tipo, já que a dinâmica do excesso e rapidez da atual sociedade da informação - também chamada de sociedade do conhecimento - já nos parece intrínseca às nossas rotinas de trabalho ou pessoais.

Essa novíssima realidade emerge de forma muito mais complexa e eficiente na gestão estratégica e na tendência de encurtar distâncias, eliminar etapas no processo produtivo e promover agilidade. Tudo isso com a finalidade primordial de ganhar em produtividade, qualidade e desempenho, que transcende o mero armazenamento e acesso à informação.

Hoje, o que determina o sucesso ou fracasso de um projeto científico ou empresarial é justamente a capacidade técnica de utilizar a gama de instrumentos tecnológicos, que estão à mão, mas não fazem nada sozinhos.

Quanto mais uma instituição souber escolher o que utilizar desse "macro-menu" e se capacitar em ferramentas adequadas, multidisciplinares e integradas com área diversas, mais chances de êxito ela tem.

Avanços tecnológicos trouxeram para a biologia atores das áreas de matemática, física, engenharia e computação, criando uma nova ciência: a bioinformática.

Foi ela que, a partir da década de 1980, permitiu o desenvolvimento de projetos científicos de alta produção de dados. O Genoma Humano é um exemplo claro e preciso disso. Há 30 anos, era impensável sequenciar um genoma inteiro lendo e interpretando "manualmente" cada par de base do DNA.

O papel da bioinformática na descodificação de um gene é tão importante do ponto de vista da velocidade com que a tarefa pode ser realizada, que o projeto do genoma, inicialmente previsto para ser concluído em 15 anos, acabou sendo antecipado em cinco.

Hoje, um novo gene, com cerca de doze mil bases, pode ter sua sequência decifrada em menos de um minuto - isso mesmo, menos de 60 segundos! Para se ter uma ideia, há cinco anos, a mesma tarefa levaria 20 minutos e, há 20 anos, quase um ano.

A cada dia, novos meios de sistematização e otimização de processos surgem para facilitar nossas vidas, chegando ao ponto de criarem necessidades que nem sabíamos que tínhamos.

Mas a verdade é que, no dia a dia, temos que escolher entre usar um netbook ou iPad, por exemplo, ou entre um smartphone ou um rádio, de acordo com nossas reais necessidades.

Talvez seja a capacidade de saber escolher que passará a determinar o grau de eficiência de um gestor da inovação, seja ele um cientista de avental branco ou um executivo responsável pela evolução consistente de sua empresa.

Um critério a ser seguido para essas escolhas é o uso da tecnologia para determinar algum avanço, que pode terminar novas tecnologias, que vai influenciar outras inovações e assim por diante.

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Luiz Vicente Rizzo é diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

Fonte: Brasil Econômico - 16/2/2011
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