12/04/2011

Sem medo de fracassar

Mara Sampaio - Psicóloga e especialista em cultura empreendedora

Os empreendedores nunca fracassam? Será que são infalíveis? Por que não se fala dos fracassos? Como consultora de empreendedorismo, tenho ouvido esta pergunta com muita frequência atualmente.

É comum entre professores e palestrantes falar do sucesso de empresários para ilustrar a possibilidade e sensibilizar pessoas para mudanças de cultura organizacional e postura frente ao trabalho, e isto causa certo desconforto nos espectadores.

Parece que saber do fracasso torna o empreendedor mais humanizado e a possibilidade de empreender mais próxima da realidade daqueles que ainda não se identificam com este perfil.

O índice de mortalidade das empresas é muito alto e isto não significa que a cada empresa que morre há um empreendedor fracassado.

De fato os empreendedores não fracassam, mas o fracasso está presente no empreendedorismo. O que acontece é que na trajetória empresarial ocorrem erros e fracassos durante o percurso e eles persistem, seguem em frente.

O fracasso não é considerado ponto final ou fim de carreira. Os grandes empresários aprendem com seus erros e trabalham com eles para superá-los. Em muitos casos são os erros que os empurram para o sucesso, tornam-se desafios estimulantes para seu desenvolvimento.

Abilio Diniz conta no seu livro Caminho e escolhas como enfrentou os obstáculos para salvar o Pão de Açúcar da falência na década de 1990 e a importância que atribui a este momento na sua trajetória empresarial.

Outro aspecto interessante é que pessoas empreendedoras não têm medo de errar, se arriscam, acreditam na sua capacidade de superar os percalços e momentos negativos que surgirão no seu negócio. O fracasso é uma etapa que desperta o desejo de vencer.

Quando Ricardo Sayon fala de sua trajetória empresarial, começa dizendo que não poderia fazer parte de nenhum livro de casos de sucesso. Médico pediatra, fundador da Ri Happy, abriu a loja em 1988 com sua mulher, ambos sem experiência, por três anos cometeu muitos erros, perdeu patrimônio, quase foi à falência.

Somente a partir de 1991 profissionalizou sua gestão, definiu o conceito de negócio e atualmente é líder do mercado especializado de brinquedo com mais de 100 lojas pelo Brasil.

É um empreendedor de sucesso, que aprendeu com seus erros, enfrentou seus fracassos e não desistiu do negócio no momento em que a situação estava mais grave, implementou mudanças empresariais e pessoais até encontrar seu jeito de empreender.

O erro é considerado de forma diferente por diversas culturas. Em algumas é tão vergonhoso e humilhante que as pessoas só agem com muita segurança e cautela para não falharem nunca.

É importante que uma cultura seja tolerante ao erro e permita que o fracasso faça parte do desenvolvimento das pessoas ou como oportunidade de reconstrução e busca do novo. Falhar faz parte do sucesso.

O medo do fracasso só está presente em culturas que não têm tolerância ao risco e estigmatizam as pessoas por falharem. Numa cultura empreendedora quem quebra é a empresa e não o empreendedor.

O que é valorizado é a capacidade de persistir, criar novas alternativas até ser bem-sucedido. Uma frase atribuída a Henry Ford que tem uma grande lista de erros e fracassos na sua trajetória antes de revolucionar a indústria automobilística americana: "O fracasso é apenas a oportunidade de começar de novo, desta vez com mais inteligência".

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Mara Sampaio é psicóloga e especialista em cultura empreendedora

Fonte: Brasil Econômico - 12/4/2011
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