27/04/2011

Salário, preço e lucro

Ricardo Galuppo - Diretor de redação do Brasil Econômico

Às vezes tenho vontade de me desculpar com o leitor pela insistência com que bato em determinadas teclas. De forma recorrente, defendo as reformas que eu e muitos outros consideramos essenciais para que o Brasil supere a era da ineficiência e evolua para uma situação em que a população tenha mais e melhores oportunidades de uma vida digna e próspera.

Algumas reformas necessitam de um simples empurrão da sociedade. Outras, de uma mudança profunda na mentalidade.

O país necessita gerar empregos em quantidade, mas também precisa desenvolver meios para que um maior número de pessoas se habilite a disputar as vagas mais qualificadas - ou seja, aquelas que pagam os melhores salários.

Precisa encontrar uma forma de estimular a produção industrial sem, contudo, fechar os portos aos artigos importados. São fatores que, somados a outras medidas estratégicas, ajudarão a equilibrar os preços mesmo num ambiente de pleno emprego e de salários mais elevados.

Isso evitará que a inflação continue a ser uma espada sempre prestes a se desprender do teto e a matar nossas possibilidades de crescimento. O país precisa, finalmente, deixar de olhar o lucro das companhias com preconceito e passar a considerá-lo a remuneração pelo investimento e pelo risco dos empreendedores.

São mudanças de postura e mentalidade que estimularão o Estado a acelerar as medidas de sua responsabilidade e, assim, agilizar a reforma política, a reforma da educação e a reforma tributária - que inclui, em um capítulo especialmente sensível, a desoneração da folha de pagamentos (tema do Destaque da edição desta quarta-feira do Brasil Econômico).

Essa discussão torna-se ainda mais urgente diante das evidências de que, naquilo que depende dela, a sociedade tem feito a sua parte. A 11ª edição da pesquisa GEM divulgada ontem mostra que, em 2010, o Brasil foi o país mais empreendedor do mundo.

Pelos números do GEM (que têm a chancela dos principais centros de empreendedorismo do mundo e que, no Brasil, tem a assinatura do Sebrae), 17,5% da população brasileira adulta (entre 18 anos e 64 anos) atuava, no ano passado, em empresas de até 3,5 anos de existência.

Os dados mais animadores (conforme é possível observar na pág. 32) são os que mostram a consolidação de uma tendência fundamental. No passado, o que levava os brasileiros a empreender era, principalmente, a necessidade de sobrevivência.

Hoje, é a oportunidade de ter sucesso com um negócio promissor. Isso quer dizer o seguinte: se os empreendedores brasileiros já fazem tanto nas condições atuais (em que a burocracia é enorme; a carga tributária, asfixiante; o crédito, caro; e a legislação - em que pese a simplificação dos últimos anos - ainda desestimulante), o que eles não fariam num ambiente que os estimulasse?

O Brasil precisa tratar seus empreendedores com carinho, pois são eles que permitirão que o país, em pouco tempo, tenha salários maiores, preços justos e lucros crescentes.

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Ricardo Galuppo é diretor de redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 27/4/2011
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