25/04/2011

Saiba que tudo passa

Marcelo Mariaca - Presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School

É dito popular - amparado por Darwin e tantos outros adeptos do evolucionismo, cada qual à sua maneira - que apenas os mais fortes sobrevivem. A lei da selva é a máxima da cidade há séculos. Entre amigos. Em casa. No trabalho. Somos selecionados - ou não - todo o tempo.

Julgados pelas fraquezas e escolhidos pelos méritos. Mas são poucos entre nós que sabem, a fundo, quais os critérios para "estar dentro" ou "estar fora".

Sobreviver, visto de perto, não parece nem tão simples nem tão raso. A tentação é recorrer, quando refletimos sobre o tema no que se refere ao mercado de trabalho, à boa e velha adaptação. Adaptar-se, sob a ótica da genética, é modificar-se na essência.

Pelo Dicionário Houaiss, é algo adverso: sinônimo de acomodar-se. Ninguém quer ser mutante nem acomodado. A verdade é que a adaptação não é bem o caminho a seguir.

Há alguns anos, escorregou da física para os consultórios de psicologia, e de lá para a boca do povo - entre cafés no escritório e reunião de diretoria -, que o profissional de hoje precisa mesmo é de resiliência, termo advindo das ciências naturais que significa a capacidade de os materiais resistirem aos choques e retomarem suas propriedades após um esforço intenso.

Não é mais só MBA nem mestrado em Londres que torna o profissional mais apto. Hoje, a resiliência representa a habilidade de um ser humano de sobreviver a um trauma, resistir às adversidades.

Não somente guiada por uma resistência física, mas pela visão positiva de reconstruir sua vida, a despeito de um entorno negativo, do estresse, das restrições sociais. Ser resiliente é ser flexível. O adaptado se perde de si mesmo. O resiliente mantém sua integridade. É sujeito, não objeto.

Pode-se dizer que a vitória é de caráter. É a tranquilidade da ação daqueles que têm a certeza de que isso também vai passar. Mas é importante saber que, embora seja íntima e pessoal, a resiliência não se conquista sozinho.

É preciso apoio de um clima organizacional em que a saúde mental das pessoas seja valorizada e que o trabalho sob pressão não seja uma constante, mas a exceção.

E é possível que você seja chamado a ser resiliente mesmo nos momentos em que não há crise. Jovens profissionais precisam educar-se para não ter de chegar ao limite e falhar pela pouca experiência. Assim, se as dificuldades fazem parte da vida, superá-las é o que todos esperam.

Parece cruel, mas não há lugar para os desesperançosos no mundo dos negócios. Quando todos enxergam o problema, ilumina-se aquele que vê a solução. Sem perder o tino, o tempo e o foco.

Assim, ser resiliente não é ser acomodado, mas é quem sabe que, para sobreviver, é preciso ter força e sabedoria conjugados. Quem reconhece que é o ambiente que vive em estado de mutação e que, se tudo passa, o que tem valor, no fim das contas, é o que fica.

Não é parado no tempo, mas perene mesmo nas adversidades. Sustentável mesmo que o mundo caia ao redor. Não subjugue suas emoções ao extremo racional. Porque, se inteligência é importante, mais ainda é a inteligência aplicada, da forma e na hora em que é requisitada.

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Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School

Fonte: Brasil Econômico - 25/4/2011
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