20/07/2011

Riscos externos e a economia brasileira

Rogério Mori - Professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV)

O ambiente econômico e financeiro internacional permanece sob tensão. Diferentes países europeus apresentam cada vez mais problemas com suas dívidas e dificuldades enormes em realizar ajustes que viabilizem a estabilidade do euro no longo prazo.

Ao mesmo tempo, está cada vez mais evidente que a economia americana permanece enfraquecida e problemas fiscais se avizinham de forma mais intensa sobre a economia dos Estados Unidos.

Em função desse quadro, os níveis de risco se elevaram recentemente e o potencial de ruptura financeira permanece no ar.

No curto prazo, em face desse cenário, a economia brasileira se mostra extremamente atraente para os investidores internacionais sob vários aspectos. Nesse contexto, o sistema financeiro se mostra sólido e sem potencial de risco.

Ao mesmo tempo, embora a situação fiscal não seja tão confortável quanto há uns anos atrás, as contas públicas brasileiras ainda se mostram relativamente equilibradas.

Esse quadro, considerando-se o ciclo de aperto da política monetária em curso no Brasil (com aumentos sucessivos da taxa básica de juros - Selic), amplia o fluxo de dólares para o país, contribuindo para pressionar a cotação da moeda americana para baixo.

Esse efeito sobre a taxa de câmbio afeta, cada vez mais, a competitividade da produção brasileira e vários setores produtores de bens comercializáveis com o exterior se encontram em dificuldades.

Não sem razão, o governo brasileiro tem se mostrado preocupado com esse fenômeno e ensaia tomar novas medidas na área cambial para tentar enfrentar esse grave problema.

O potencial de ruptura no ambiente internacional, no entanto, pode reverter esse quadro de forma relativamente dramática.

Os ingressos de capitais externos nos últimos anos em um contexto de déficit em transações correntes, proporcionaram um enorme passivo externo ao país.

Nesse contexto, problemas financeiros na Europa ou nos EUA poderiam se refletir em um intenso movimento de saída de capitais ou uma súbita parada de ingressos e restrição ao crédito externo no Brasil. Esse evento teria consideráveis efeitos sobre a taxa de câmbio brasileira.

Adicionalmente, uma nova rodada da crise levaria a um aprofundamento da desaceleração no ritmo da atividade econômica global.

Em outras palavras, muito possivelmente, no caso de um evento de estresse financeiro internacional, a economia global sofreria novamente, com um contexto de recessão global. Sob essa perspectiva, os efeitos desse ambiente sobre a economia brasileira se traduziriam em efeitos sobre as vendas externas brasileiras.

Logicamente, em face desses elementos, não se pode vislumbrar um quadro positivo para o Brasil em termos econômicos caso um evento de ruptura financeira externa realmente ocorra.

A síntese desse processo sugere que, em um evento como esse, uma desaceleração econômica no país deverá se instalar (com riscos de queda do produto brasileiro) e a cotação do dólar deverá subir.

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Rogério Mori é professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV)

Fonte: Brasil Econômico - 20/7/2011
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