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Santos, SP/

26/06/2012

Queda de commodities afetará Brasil

Os preços das commodities no mercado internacional cairão consideravelmente, afetando toda a América Latina, inclusive o Brasil. Esse será o principal impacto da desaceleração da economia chinesa na região avalia o economista-chefe do South Centre (órgão internacional de países em desenvolvimento com sede em Genebra, na Suíça), o turco Yilmaz Akyüz. Ele, que veio ao Brasil para a Rio+20, lembrou que, num momento em que os países da zona do euro estão em crise e os Estados Unidos, com baixo crescimento torna o cenário mais grave.

Ele falou com exclusividade ao Valor e disse que a redução no preço dos produtos básicos mostrará que o Brasil viveu, durante os últimos anos, duas bolhas: uma relacionada à própria valorização das commodities, que garantiu o saldo positivo na balança comercial, e outra que sobrevalorizou o real, com a forte entrada de dólares no país. Na visão do economista, o Brasil se caracterizou como um grande produtor de commodities, bens que atraíram recursos estrangeiros ao país, inflando o real. Com o fim do ciclo de alta das commodities, ele diz que o fluxo de capitais para o país poderá ficar comprometido.

"O Brasil precisa ter cuidado com o balanço de pagamentos. O problema é que o fluxo de capitais e as commodities estão além do poder do governo. Ou seja, o Brasil não pode adotar medidas para os preços das commodities subirem e não pode, facilmente, adotar medidas para atrair capitais para o país", diz ele, acrescentando que o processo de queda das commodities foi iniciado há dois meses. "Com isso, há um deslocamento rápido de recursos dos países emergentes e suas moedas se desvalorizam"."

Na avaliação do economista, o governo deveria praticar ações domésticas. Entre elas, destaca, deveria preparar-se para fazer controle de capitais e ser mais "seletivo na importação".

"Meu conselho é: não usem as reservas cambiais, a não ser para investimentos, produção e importação de bens essenciais", afirma ele, para quem o real ficou valorizado por muito tempo, situação que impôs ao país a desindustrialização. Na época em que o real se valorizou, Akyüz diz que o governo deveria ter elevado o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de maneira menos "tímida". "Aumentar 3%, 4% é ineficiente. Quando se aumenta imposto cambial, tem de se aumentar 10%, 12% para ajudar a indústria", diz.

Akyüz conta que, em 2008, quando a crise financeira estourou, a China manteve o patamar de preços das commodities e funcionou como "a fábrica do mundo". Ele diz que, agora, isso acabou, porque as exportações chinesas estão perdendo mercado na Europa e nos Estados Unidos. Em razão disso, avalia, a China deverá mudar seu padrão de crescimento. Além de investimentos em infraestrutura, algo que o país já faz, seu governo terá de aumentar os esforços para promover a elevação do consumo da população.

"A China não voltará a crescer 9,5%. Acho que o país crescerá algo em torno de 7,8% em 2012 e sustentará esse patamar nos próximos anos", diz. "É um crescimento bastante decente. Muitos países adorariam ter uma taxa de crescimento dessa, inclusive, o Brasil."

Fonte: Valor Econômico / Brazil Modal / 26/6/2012

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