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Santos, SP/

11/05/2011

Quando transformar é o mais importante

Luis Vicente Rizzo - Diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino de Ensino e Pesquisa do Albert Einstein

É comum pensar em inovação como algo mágico que resulta na criação de novas práticas, serviços, produtos e toda a sorte de processos, funcionando quase como uma máquina de ideias geniais, onde se coloca um problema de um lado e a solução sai do outro.

A verdade é que as invenções/inovações totalmente puras - originadas de insights, epifanias e coincidências - são tão raras quanto ganhar na loteria.

Inovação precisa ser entendida em todos os setores como um processo que permite aperfeiçoar, adaptar, integrar, corrigir e adequar. Ou seja, a prática está muito mais relacionada à transformação das coisas, como a melhoria de um processo ou a resposta funcional a algum tipo de aumento de demanda.

Ela deve responder à imposição de necessidades reais. E não há nada mais real e buscado por qualquer tipo de companhia do que a satisfação absoluta de seus clientes.

Em geral, são eles que determinam a necessidade do novo; e isso não passa perto de uma suposta fábrica de soluções movida por indivíduos com intelecto superior, pois envolve esforços de identificação de problemas, análise interna e até estudos micro e macroeconômicos, além de uma série de atitudes em uma gestão comprometida com resultados.

Usando a área hospitalar como exemplo de necessidade, a segurança do paciente é a principal determinante para medidas inovadoras.

Erros de medicação, por exemplo, exigiram a adoção da mais alta tecnologia e criação de protocolos avançados para mitigar o problema em instituições de grande porte como o Hospital Israelita Albert Einstein e outros hospitais de referência. Um processo que também observamos na área pública nos últimos anos.

E por quê? Porque é extremamente necessário: mais de 1,5 milhão de pessoas sofrem eventos adversos por erros de medicação e sete mil pessoas morrem a cada ano nos Estados Unidos, custando ao país pelo menos US$ 3,5 bilhões, de acordo com o estudo Preventing Medication Errors, do Institute of Medicine.

Um dos principais motivos é a falta de processos e condições não automatizadas, além de pouco e irregular treinamento de equipes de assistência.

A logística nessa área deve atuar nos mínimos detalhes, como o controle e ‘rastreabilidade' de medicamentos de porte pequeno, como uma ampola de 5ml - que pode ser fundamental para a vida de um paciente.

Para esse caso, por exemplo, utiliza-se recursos como um código de barras bidimensional para aplicações especiais chamado GS1 DataMatrix, que permite codificar informações em espaços muito menores que os códigos lineares e agregar informações adicionais como código do produto, lote e validade.

A radiofrequência também é utilizada em hospitais para controle de materiais e pacientes. Modernos hand-helds (pequenos computadores) são utilizados para lembrar as enfermeiras o cronograma de medicação e monitoramento de funções vitais do paciente à distância.

O e-procurement, ferramenta eletrônica de cotação de preços para compras corporativas, também já é bastante utilizado na busca pela agilidade da aquisição de materiais e medicamentos.

Superando o romantismo que orbita a inovação, o desenvolvimento de ações inovadoras deve servir principalmente para a resolução de problemas e questões sensíveis ao cliente. A genialidade precisa existir, contanto que seja valorizada tanto pela conquista do resultado como pelo ineditismo da ideia.

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Luiz Vicente Rizzo é diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein

Fonte: Brasil Econômico - 11/5/2011
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