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Santos, SP/

21/03/2012

Qualidade depende de esforço coordenado

Pedro Melo - Presidente da KPMG no Brasil

O Brasil e os brasileiros vivem um momento ímpar. O crescimento e a prosperidade alcançados nos últimos anos, aliados ao fortalecimento do mercado interno como resultado da conquista de melhorias na distribuição de renda, nos têm garantido uma exposição internacional inédita, o que contribui para realimentar o já positivo potencial de evolução.

Diante dessa onda positiva, é natural que percebamos com mais nitidez algumas deficiências, especialmente as que surgiram nos momentos mais difíceis de nossa curta trajetória como nação, que soma pouco mais de 500 anos.

Uma das mais perceptíveis distorções está vinculada à qualidade da educação. Como país em pleno desenvolvimento, a necessidade de pessoas preparadas para ocupar variadas funções profissionais tem crescido fortemente.

Surge aí um importante gargalo vivido por empresas, empreendedores, instituições, entidades e organismos públicos e privados. O fenômeno ameaça gravemente o potencial de expansão de setores inteiros, em razão da escassez de pessoal capacitado para assumir os postos de trabalho oferecidos.

O Brasil somou importantes conquistas na área do ensino nas últimas décadas. Primeiramente, está sendo garantido acesso a todos os ingressantes no Ensino Fundamental. Assim, a quase totalidade das crianças desfruta do direito constitucional à escolaridade gratuita.

Também foi ampliada a oferta de vagas no Ensino Superior, não só com o aumento da rede de universidades públicas, mas, também, com a abertura à expansão das chamadas Instituições de Ensino Superior privadas, apoiadas, inclusive, por programas de concessão de bolsas ou de financiamento estudantil.

A oferta de um ensino de melhor qualidade em todos os níveis educacionais tornou-se o motor de grandes preocupações e esforços de governos, instituições, empresas e autoridades. Apesar desses esforços, a evolução tem ficado aquém do esperado.

Neste mês de fevereiro, o movimento Todos pela Educação, que instituiu metas a serem atingidas até 2022, divulgou dados preocupantes, que indicam que, sem mudanças consideráveis, as referidas metas podem não ser atingidas, principalmente em razão do ingresso tardio nas escolas, dos altos índices de repetência e do número de matriculados que abandonam os estudos.

Apesar de as instâncias governamentais estarem se esforçando para garantir o acesso à escola, nenhuma unidade da Federação superou, em 2010, a meta estabelecida segundo os objetivos intermediários estabelecidos pelo movimento, que previa 93,4% de todas as crianças e jovens entre 4 e 17 anos matriculadas e frequentando a escola.

O país todo e o empresariado brasileiro, em especial, precisam contar com pessoas bem capacitadas a assumirem as demandas do crescimento, que tendem a evoluir.

Nesse sentido, a educação de qualidade é essencial para garantir a força intelectual e profissional necessária para atender à demanda por capital humano, principal pilar de nosso progresso e soberania em termos de conhecimento.

Os desafios não são poucos, mas a coordenação de esforços dedicados para qualificar o ensino e a capacitação oferecida aos brasileiros será um fator crucial para a consolidação do desenvolvimento.

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Pedro Melo é presidente da KPMG no Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 21/3/2012

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