22/01/2011

“A Cidade precisa investir em infraestrutura” – Jornal da Orla – 22/1/2011

Publicado em:
Jornal da Orla, em 22/1/2011, revista especial sobre o aniversário de Santos, página 31

O presidente da Associação Comercial de Santos, Michael Timm, afirma que a Cidade precisa investir em infraestrutura para manter o crescimento sustentável de sua economia. Em nível nacional, ele insiste que o Estado deve priorizar a educação para oferecer oportunidades aos mais jovens. Tïmm declara seu amor a Santos: "Não deixo esta cidade por nada neste mundo".

Jornal da Orla - A Cidade completa 465 anos e vive uma fase de expansão econômica. Qual é o principal desafio de Santos para os próximos anos?

Michael Timm - Sem dúvida alguma, a Cidade precisa investir em infraestrutura - transporte, habitação, saneamento e malha viária - para sustentar o crescimento da economia locakl, que é impulsionada pela expansão do setor portuário, o boom imobiliário e a exploração do pré-sal na Bacia de Santos.

Jornal da Orla - Nós sempre tivemos um problema aqui em Santos: os nossos filhos precisam subir a Serra para tentar uma vaga de emprego em São Paulo. O senhor acredita que essa realidade deve mudar com os novos investimentos na Cidade?

Timm - A realidade está mudando. Por exemplo: a minha geração, que se formou na faculdade na década de 80, já está trabalhando em Santos. Eu trabalhei oito anos em São Paulo e depois retornei a Santos. Hoje, exist6e uma demanda por mão de obra qualificada na Cidade. Por isso, a tendência é que as próximas gerações venham encontrar postos de trabalho na Cidade ou região. Não haverá necessidade de se deslocar para outros centros urbanos.

Jornal da Orla - Os programas de qualificação de mão de obra estão no nível adequado?

Timm - Precisa melhorar no País inteiro. O Brasil ficou em 54.º lugar no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa), entre 65 países. Esse é um desafio que envolve todas as esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal).

Jornal da Orla - Houve investimento da Petrobras em Macé (RJ) e a cidade enfrentrou problemas sérios em todos os sentidos. O que deve ser feito para que a experiência de Macaé não se repita em Santos?

Timm - Em Macaé, houve um crescimento desordenado, portanto sem planejamento. A cidade cresceu economicamente, mas as condições de vida pioraram. Já a Cidade de Santos está em outro nível de desenvolvimento. Aqui a Prefeitura trabalha com o setor privado, junto com a Petrobras. Tem a preocupação do VLT para resolver o problema de transporte e também as rodovias. Ao que tudo indica, a Cidade vai suportar a demanda de investimentos, sem prejudicar a qualidade de vida da população.

Jornal da Orla - Com o crescimento econômico, é natural que a Cidade venha enfrentar alguns problemas quanto à segurança pública. Santos está próximo da capital e do Grande ABC. O que fazer para evitar ou minimizar esse problema?

Timm - A educação é o ponto fundamental. Se investir em escola, menos crianças e jovens estarão reféns do crime. O Estado de São Paulo é o mais rico da Federação e concentra o maior número de presos. Isso é um paradoxo. Para livrar o jovem da criminalidade, o poder público deve investir em educação e na geração de empregos. No curto prazo tem que investir em segurança, com a modernização da polícia e a aquisição de novos equipamentos. De todo modo, a sociedade brasileira precisa debater a questão da impunidade. É necessário fazer a reforma no Código Penal.

Jornal da Orla - A carga tributária no Brasil é um problema que parece não ter solução. Entra governo e sai governo, mas os impostos só aumentam. Qual é o impacto da carga tributária no desenvolvimento econômico?

Timm - É uma das coisas que mais atrapalham o crescimento do País. Precisamos de uma reforma tributária que venha reduzir os encargos e simplificar o recolhimento de tributos. Hoje, o peso dos tributos inibe o investimento e favorece a informalidade. E pior: encarece os preços dos produtos que chegam ao consumidor. Além disso, o sistema é burocrático. As empresas perdem 2.100 horas para regularizar e entregar as informações da Receita Federal. São tantas exigências que você não sabe se está cumprindo a lei. Nesse sentido, eu entendo que a melhor solução é criar um imposto único, que venha reduzir a burocracia e desonerar os investimentos.

Jornal da Orla - E a reforma trabalhista?

Timm - Infelizmente, o custo da mão de obra é muito caro no País. Quem tem negócio fica traumatizado, porque não sabe quais são as exigências. Isso abre margem para a informalidade.

Jornal da Orla - Quais são os setores mais procurados para investimentos?

Timm - O mercado de Petróleo e Gás é a bola da vez. Com a chegada da Petrobras, a economia da Cidade abriu as portas para receber uma gama de fornecedores e prestadores de serviço.

Jornal da Orla - É possível conciliar desenvolvimento com qualidade de vida?

Timm - É um pouco complicado. Por isso, é necessário fazer um planejamento de longo prazo para definir quais são as necessidades da população santista e as demandas para os próximos anos. Precisamos encontrar soluções para o transporte coletivo, desafogar o trânsito, leitos de hospital.

Jornal da Orla - O que significa morar em Santos?

Timm - Eu passei os melhores momentos da minha vida na Cidade de Santos: cresci, trabalhei e formei a minha família. Não deixo esta cidade por nada neste mundo.

Confira a reprodução da entrevista do presidente Michael Timm
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