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Santos, SP/

23/08/2012

Preço do gás natural no mundo

Adriano Pires - Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

O mercado mundial de gás vem passando por uma revolução no que diz respeito a sua oferta. A descoberta e a viabilização técnica e econômica da extração do gás natural não convencional vêm provocando queda dos preços, principalmente nos mercados cuja sua fixação obedece as leis de mercado, como no caso dos Estados Unidos.

Outro fator que contribuiu para a redução do preço do gás, porém em menor escala, foi à difusão do Gás Natural Liquefeito (GNL), na medida em que possibilita a ampliação do consumo do hidrocarboneto por países que não estão conectados aos países produtores, por meio de gasodutos.

Apesar do crescimento da oferta, cada mercado tem sua forma de precificação para o energético, não existindo uma única referência no mercado internacional para o preço do gás natural.

As diversas formas de precificação levam a uma disparidade no comportamento do preço do gás natural.

Nos Estados Unidos, os preços do gás natural variam, geralmente, baseados nas flutuações de oferta e demanda (competição gás/gás) no curto prazo e tem como principal referência o preço no Henry Hub.

Outro fator relevante para o preço do gás no mercado americano é o preço do carvão, já que este representa um piso, um "soft floor", para o preço do gás no setor elétrico.

A comercialização de gás natural no mercado europeu ocorre em quatro principais mercados, no Reino Unido, no Noroeste europeu, nos terminais de GNL do Canal da Mancha e o gás natural entregue na Península Ibérica e no Mediterrâneo, sendo cada um deles regidos por uma sistemática própria.

No Reino Unido os preços são baseados na competição gás/gás. Assim como nos Estados Unidos, a comercialização é realizada em hubs, principalmente, no National Balance Point (NBP).

Na região do Noroeste europeu, predominam ainda os contratos de longo prazo indexados ao petróleo. Nesta região, 90% do gás consumido é proveniente da Rússia, da Noruega e da Holanda, com contratos de 20 e 30 anos, indexados ao petróleo.

Os suprimentos de gás que desembarcam nos terminais de GNL no Canal da Mancha, vêm adicionando volumes crescentes ao mercado do Noroeste europeu nos últimos anos.

Os volumes importados via Reino Unido seguem os preços de mercado internacional de GNL, sendo que parte do gás é reexportada para o Noroeste Europeu.

Os volumes importados diretamente por Zeebrugge, na Bélgica, seguem o mesmo mecanismo de preços.

Finalmente, os suprimentos à Península Ibérica e ao Mediterrâneo vêm através de gasodutos da África ou por terminais de GNL, constituem um mercado separado do resto da Europa, tendo sua própria precificação.

A tendência de desacoplamento do preço do gás natural aos preços dos óleos deve continuar conforme o aumento da produção de gás não convencional e da produção não associada, o crescimento dos hubs de comercialização e do trade internacional de GNL.

Desta forma, os preços tendem a migrar para um sistema baseado na competição gás/gás, porém de forma gradual, logo que sejam reduzidos os inúmeros de contratos de longo prazo indexados a óleos.

Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE)

Fonte: Brasil Econômico / 23/8/2012

 

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