09/02/2011

Polos de inovação

Alfredo Cordella(*)

Duas recentes publicações, feitas em contextos diferenciados, sugerem elementos preciosos para uma importante reflexão, em escala local, sobre polos de inovação.

O caderno de A Tribuna, "Especial Santos 465 anos", publicado no dia da Cidade, de forma bastante oportuna, reuniu um elenco de experts que com competências reconhecidas projetou cenários futuros prováveis para Santos e região.

Em escala internacional, a revista Exame, de 9 de fevereiro, edição 985, discute no espaço de Tecnologia/Inovação, "o grande experimento chileno" na criação de polos de inovação.

A publicação sobre a cidade de Santos sinalizou inúmeros desafios em infraestrutura física, saturação habitacional,crescimento sustentável, desenvolvimento social, polos logísticos, atividades portuárias e retroportuárias, enfim, um estímulo para o esforço coletivo na tentativa de se construir um futuro melhor, para todos.

Na revista Exame, a experiência chilena, em última análise, tangencia todos os desafios listados acima ao focalizar políticas públicas de fomento à inovação. A citada matéria rompe alguns tabus quando questiona fórmulas vencidas para o desenvolvimento tecnológico.

Com certa dose de ironia pode-se ler: "Até agora, porém, praticamente todas as empreitadas para criar celeiros de inovação seguiram o mesmo roteiro".

Para esperar "a mágica acontecer" basta, acrescenta o articulista, fortalecer uma universidade de pesquisa, construir um parque tecnológico, e oferecer incentivos fiscais. E completa mesmo assim: "nada, ou quase nada, acontece".

Longe daqui desatar uma polêmica, mas é chegada a hora de inovar o modo com que acionamos os poderosos motores da inovação. Batizado de "Start-Up Chile", o experimento em curso expõe o governo Sebastián Piñera, mais uma vez, na mídia internacional e articula-se com outros projetos e reformas para aumentar a competitividade e transformar o país em um polo de inovação.

Por aqui, quem sabe, poderíamos aproveitar algumas ideias da iniciativa chilena.

Um primeiro dogma precisa ser superado: inovação não se faz somente em centros de pesquisas e polos de tecnologia. A crowdsourcing (ou sabedoria das multidões) já é considerada uma importante fonte de inovação aberta, para inúmeras empresas.

Publicação do Wipo (Ompi ­ Organização Mundial de Propriedade Intelectual) e Inpi (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), de 2008 (último dado disponível), revela que, em pedidos de patentes, 74% estão com empresas, 22% com pessoas físicas, 1,1% em órgãos públicos e, apenas, 0,8% em instituições de ensino e pesquisa.

Discordando, em parte, da ideia propugnada na revista Exame, sugere-se ampliar o alcance de políticas públicas para a inovação no enfrentamento dos desafios locais.

A fórmula poderia incluir universidades e centros de pesquisas, amplos espaços de interação nos parques tecnológicos, uma sedutora proposta de incentivos fiscais e, principalmente, um eficiente projeto de mobilização de pessoas na busca colaborativa da inovação.

Criadas as condições de estímulo, a ordem é incentivar em nossa gente a prática efetiva da inovação, sem limites de territórios, títulos acadêmicos ou iluminações privilegiadas.

(*)Alfredo Cordella é diretor do Instituto Topos e professor universitário

Fonte: Tribuna Livre, A Tribuna, quarta-feira, 9/2/2011, página A-2
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