08/08/2011

Pessoa física retira mais de R$ 4,5 bi da bolsa no ano

Depois da crise de 2008, que fez o Índice Bovespa encerrar aquele ano com queda de 41,22%, o investidor local parece ter decido sair da bolsa antes que o pior aconteça. As pessoas físicas, por exemplo, vêm, mês após mês, tirando mais dinheiro da Bovespa do que aplicando. Os institucionais, por sua vez, dão sinais de estarem também intensificando o movimento de venda.

Dados da BM&FBovespa mostram que, no ano, até o dia 3, as pessoas físicas já retiraram R$ 4,542 bilhões, considerando as aplicações menos os resgates. O comportamento dos pequenos investidores contrasta, inclusive, com o movimento realizado pelos investidores estrangeiros, que acumulam no ano saldo positivo no valor de R$ 422,319 milhões até dia 3.

Mesmo em meio ao clima de pânico que tomou conta dos mercados ao longo da primeira semana de agosto, o investidor internacional mostrou que está atento a oportunidades. No mercado à vista, os números mostram que o estrangeiro segue com compras maiores que as vendas em R$ 133,5 milhões em agosto até o dia 3.

Na quarta-feira, quando o Ibovespa recuou 2,26%, para 56.017 pontos, o estrangeiro manteve sua aposta na bolsa, com o ingresso líquido de R$ 326 mil. Vale lembrar que os dados não englobam o pior dia de queda da bolsa na semana passada, quinta-feira, quando o Ibovespa caiu 5,72%.

Há uma grande dose de medo e de risco nos mercados, mas nada que tenha acontecido ao longo das duas últimas semanas altera fundamentalmente a perspectiva moderadamente otimista para as ações, afirma Bob Doll, estrategista-chefe de ações da BlackRock. "Se os investidores acreditam, como nós, que os Estados Unidos vão evitar a recessão, então continuar acima da média em ativos de risco faz sentido", diz.

Nos três primeiros dias de agosto, entretanto, a pessoa física também injetou recursos no mercado, no valor líquido de R$ 65,5 milhões, embora, na quarta-feira, o pequeno investidor tenha sucumbido ao mau humor e retirado R$ 76,44 milhões da Bovespa.

O investidor institucional - fundos de pensão e seguradoras - já retirou R$ 2,048 bilhões no acumulado do ano, dos quais R$ 595,3 milhões somente nos três primeiros dias de agosto. No dia 3, os números mostram que a saída de recursos somou R$ 187,6 milhões.

Num momento de pânico, o investidor local, com destaque para o institucional, não resiste à pressão e acaba saindo da bolsa, ressalta João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos. "O movimento é compreensível", destaca ele, já que esses investidores têm obrigações a cumprir com seus investidores. Já o estrangeiro parece estar aproveitando as oportunidades trazidas com a forte queda do mercado e montando posições, afirma.

Doll, da BlackRock, ressalta que a volatilidade deve se manter em níveis elevados nas próximas semanas devido à falta de clareza, mas a situação deve melhorar. "Este não é um momento para os investidores entrarem em pânico e reagir de forma exagerada às oscilações de curto prazo do mercado", diz. "Manter o foco nos objetivos de longo prazo é sempre crítico em períodos de estresse do mercado."

De acordo com um executivo de um banco estrangeiro que preferiu não ter seu nome citado, os investidores internacionais haviam saído do Brasil no começo do ano, mas agora não. Já os aplicadores locais têm feito o movimento contrário. Para ele, os resgates em fundos de ações voltados a mercados emergentes devem recomeçar agora.

Dados da consultoria americana EPFR Global, que acompanha a movimentação dos portfólios internacionais, mostram que o movimento de retirada de recursos no Brasil segue relativamente modesto. Em agosto, até o dia 3, os fundos de ações dedicados ao mercado acionário brasileiro registraram saques de US$ 78,06 milhões. No acumulado do ano, os resgates chegam a US$ 444,24 milhões.

Já a América Latina registrou saídas de US$ 391,29 milhões nos três primeiros dias de agosto, elevando para US$ 3,465 bilhões no ano. Mesmo os fundos dedicados aos Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) apresentaram retiradas de US$ 106,18 milhões em agosto, enquanto no ano perdem US$ 3,510 bilhões até dia 3. As carteiras de ações dos mercados emergentes, em geral, tiveram resgates de US$ 1,182 bilhão no mês e de US$ 6,473 bilhões no ano até dia 3.

Na ponta oposta, os fundos de renda fixa de mercados emergentes continuaram com o status de porto seguro no início de agosto, diz o relatório da EPFR, que cita os receios sobre a capacidade da zona do euro para conter a crise da dívida, o circo que se armou sobre o novo teto de dívida dos Estados Unidos e os múltiplos sinais de desaceleração do crescimento econômico.

Nos três primeiros dias de agosto, as carteiras de renda fixa dedicadas ao Brasil receberam US$ 14,04 milhões, elevando para US$ 501,32 milhões a captação acumulada no ano. Os mercados emergentes, em geral, tiveram ingresso de US$ 1,296 bilhão. A entrada de recursos no ano chega a US$ 13,321 bilhões até dia 3.

Luciana Monteiro e Beatriz Cutait | De São Paulo

Fonte: Valor Online - 8/8/2011

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