Clima e Previsão do Tempo
Santos, SP/

10/10/2011

Parque Tecnológico, nossa terceira onda – A Tribuna – 9/10/2011

Publicada em:
A Tribuna, 9/10/2011, domingo, página C-1, Economia

MARCELO SANTOS
DA REDAÇÃO

Âncora do desenvolvimento da Califórnia, de inúmeras cidades da China e de poucos centros privilegiados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e também São Paulo, a inovação, no rastro do pré-sal, é a nova oportunidade que se desenha para Santos e região.

A inovação, resultado de pesquisas e ideias transformadas em negócios lucrativos, será a base do Parque Tecnológico de Santos, em gestação desde 2007 e que agora dá sinais de que finalmente deslanchará.

De tão importante e meticulosamente planejado, a expectativa é que ele se torne o terceiro motor do desenvolvimento da região, logo após o Porto e a cadeia de petróleo e gás.

"O Parque Tecnológico é uma nova fronteira de atividade econômica", diz o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos de Santos, Márcio Lara.

A meta é atrair organismos de pesquisa e empresas inovadoras e seus laboratórios, o que inclui equipes com renda elevada e equipamentos milionários. O primeiro deles deverá ser da própria Petrobras, que pretende realizar no parque santista parte dos estudos sobre a exploração do pré-sal.

Outras duas empresas inovadoras e já presentes na região se inserem nos critérios do parque. Uma delas é a Schlumberger, que fornece tecnologia para o pré-sal. A outra é a Usiminas, que pesquisa aço para plataformas, dutos e navios.

A futura sede do Parque Tecnológico será instalada em um prédio anexo ao do antigo Colégio Santista, comprado pela Prefeitura e onde hoje funciona o Centro de Atividades Integradas de Santos (Cais). A intenção é construir um edifício de dez andares.

Dois passos importantes foram dados para a consolidação do parque. O primeiro foi no Seminário Gás na Economia, evento do Sistema A Tribuna de Comunicação e Associação Comercial de Santos, no dia 20.

Durante o encontro, o gerente do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, Luís Cláudio Costa, revelou que a estatal apoiará a instalação de núcleo do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) no parque santista.

Principal executivo da Petrobras na região, José Luiz Marcusso deixa claro que não será uma unidade do próprio Cenpes e sim da instituição santista, mas com apoio da estatal.

O prefeito João Paulo Papa sonha com a vinda direta do Cenpes. É fácil entender o porquê disso. O Cenpes fica na Ilha do Fundão, em área da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e atraiu para o entorno os laboratórios de grandes fornecedores, como IBM, Siemens, Usiminas, Cameron e Tenaris Confab.

Além da circulação dos melhores cérebros de suas áreas de atuação, esses investimentos em pesquisa são de centenas de milhões de dólares.

É do Cenpes do Rio que saíram as pesquisas que viabilizaram a exploração da Bacia de Campos em águas profundas e agora no pré-sal de Santos.

A ideia é que o parque atraia pesquisas e negócios tanto de empresas da linhagem da IBM ou Siemens como de pequenos e jovens empreendedores em busca de sucesso no mundo dos negócios.

A meta é que o parque se torne uma nova vocação econômica porque o petróleo é finito. É possível, com base nas estimativas atuais de reservas, que ele acabe em 40 anos. Até lá, a região terá que desenvolver outras formas de sustento para não decair economicamente.

Frase
"Tínhamos a tradição de formação de conhecimento e concluímos que devíamos incentivar o fortalecimento de planejamento e desenvolvimento"
Márcio Lara, secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos de Santos, sobre o foco do Parque
Tecnológico, que é inovação

Formação

Comando executivo
A Fundação Parque Tecnológico de Santos é a figura jurídica criada por lei para executar o projeto. Ela nasceu a partir de lei municipal, a primeira a ser sancionada pelo prefeito João Paulo Papa após tomar posse de seu segundo mandato em 2009. No dia 26 último, o estatuto da fundação, uma entidade pública sem fins lucrativos, foi alterado pela Câmara a pedido da Prefeitura.

Conselho e diretoria
O Parque Tecnológico será controlado por diretorias e conselhos administrativo e técnico ­ este último tomará decisões relacionadas às pesquisas. Foram criados quatro cargos de confiança. Segundo a vereadora Cassandra Maroni Nunes, o posto mais alto, o diretor-presidente, terá salário de R$ 12 mil.

Entidades participantes
O parque nasceu formalmente por iniciativa da Prefeitura de Santos, que estará no Conselho de Administração ao lado do Governo do Estado eA gência Metropolitana (Agem) mais Petrobras, Usiminas e Codesp. Também participam as universidades da região, a Associação Comercial de Santos, Sebrae, Sistema S (Senai, por exemplo) da Fiesp/Ciesp. O parque também terá um conselho técnico com pesquisadores, um conselho fiscal e uma diretoria-executiva que coordenará a Câmara de Programas e Projetos.

Mobilização em cinco anos de reuniões

A mobilização pela instalação de um parque tecnológico em Santos começou há quase cinco anos. Foram inúmeras reuniões intermináveis ­ e muitas outras ainda deverão ser feitas entre entidades públicas e privadas.

As conversas começaram com as entidades e empresas que agora formarão o conselho administrativo do parque (veja quadro Formação) mais os governos Federal, do Estado e de Cubatão e Guarujá. Técnicos da Fundação Seade entrevistaram 100 lideranças públicas e privadas.

Desse trabalho nasceu um relatório identificando "vetores de oportunidades". Em 2007, a Prefeitura propôs a criação do parque, cuja lei foi sancionada em 2009. O próximo passo foi o credenciamento no sistema paulista de parques tecnológicos. Depois o Estado forneceu R$ 260 mil para a realização dos planos de marketing de atração de empresas e técnico para identificação de áreas de pesquisas e instalações. Eles estão em fase de conclusão pela USP, contratada para esse fim.

A fundação também contará com o Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), cujo projeto executivo está sendo elaborado e que executará as pesquisas inovadoras.

Para participar será obrigagório inovar

O Parque Tecnológico de Santos é exclusivo para pesquisa ou negócios com inovação em energia (pré-sal), portos, construção, turismo, transportes, saúde e tecnologia da informação e comunicações (TIC).

Uma vez cadastradas ao parque e instaladas na área de abrangência da instituição (Valongo, Vila Nova e Vila Matias mais terreno da Área Continental), essas empresas poderão fechar parcerias de pesquisa e obter incentivos fiscais de Santos e do Estado que venham a ser criados, como desconto de ISS, IPTU, ICMS e financiamento estatal.

Mas é preciso desenvolver pesquisas ou produtos inovadores. Por exemplo, empresas que só querem instalar linhas de montagem não teriam acesso aos incentivos do programa.

As inovações são soluções práticas para problemas do dia-a-dia da empresa ou para desenvolver ideias, produtos ou reduzir custos.

A Apple é o maior exemplo de inovação. Ela transformou o computador tradicional em produtos adaptados para a palma da mão, como os iPhones e iPads, garantindo mobilidade. Por exemplo, jovens árabes usam esses meios para convocar seus colegas nas redes sociais contra governos autoritários. Uma revolução e tanto.

Objetivo: uma cidade cheia de laboratórios

Um parque tecnológico não se resume a um prédio público com empresas em seu interior beneficiadas por isenções fiscais, segundo o pró-reitor de Pesquisas e Pós-Graduação da PUC-RS, Jorge Luís Nicolas Audy, que tem experiência com o Tecnopuc, de Porto Alegre (RS).

A estratégia do parque santista prevê uma sede, mas sem necessariamente exigir a instalação de empresas e laboratórios em seu interior.

As empresas que quiserem participar do parque poderão se instalar no Valongo, Vila Nova e Vila Mathias, uma área de 220 mil metros quadrados.

Esses bairros têm um inconveniente, que é a degradação urbana, em especial a da Vila Nova, e falta de grandes espaços para empreendimentos mais ambiciosos.

Há ainda outra opção ­ uma área de 3 quilômetros quadrados no Guarapá, bairro da Área Continental de Santos. Esse trecho já é reservado por lei para empresas de base tecnológica não-poluentes, mas que ficarão sujeitas aos trâmites burocráticos ­ e demorados ­ do licenciamento ambiental para a instalação.

Mas uma sede é indispensável. O secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Santos, Márcio Lara, diz que ela terá dez andares, dos quais pelo menos cinco para os laboratórios. A expectativa da Prefeitura é que a construção custará R$ 10 milhões e os laboratórios, mais R$ 30 milhões.

Segundo ele, o edifício terá auditório, sala de reuniões, instalações para o pessoal administrativo e conjuntos para empresas incubadas e pós-incubadas, que são negócios de alta tecnologia que recebem o abrigo de uma espécie de instituição-mãe.

Confira a reprodução da capa com a manchete da reportagem
Confira a reprodução da reportagem
Voltar

Leia também

Auditores fiscais de Santos passam por capacitação em congresso, PREFEITURA DE SANTOS, 26/09/2022

CAFÉ: Após baixas, café abre semana monitorando financeiro e chuvas no BR, mas com poucas variações em NY

ELEIÇÕES: Abstenção pode ser decisiva ao resultado eleitoral

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site, de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.