18/05/2011

Otimizar recursos é sinal de criatividade

Luis Vicente Rizzo - Diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

Otimizar recursos é um dos principais objetivos de iniciativas relacionadas à inovação. Seja pela questão econômica e de desenvolvimento social ou ambiental, tirar melhor proveito de recursos é o norte para a concretização inovadora de práticas, processos, planejamentos e afins.

Na ciência, o conceito não é tão moderno assim. Há mais de 30 anos, diversas instituições de ponta no mundo possuem laboratórios "multiuso" e centrais de prestação de serviço. Com esse e outros procedimentos, aparelhos de alta produtividade, por exemplo, podem e devem ser usados por mais de um grupo de cientistas para aproveitar o seu tempo útil.

A lógica da ideia ou recursos não compartilhados para garantir vantagens de competitividade está cada vez mais em desuso. Nesse sentido, a inovação aberta e a ciência amadurecem por necessidade de propagar conhecimento coletivo.

Além do aporte de energia ao resultado, compartilhar recursos tem impacto positivo nas questões financeiras. Voltando ao exemplo dos equipamentos de pesquisa científica, vale lembrar que são extremamente caros para compra e manutenção, limitando-os às instituições de ponta.

Mas as que o compartilham podem dividir seus custos de utilização, aquisição e gerenciamento. As agências de fomento à pesquisa científica no Brasil têm tentado imprimir este pensamento mais lógico e sustentável, por meio de apoio para projetos que contemplem o uso por vários grupos de um mesmo parque de equipamentos.

Se este tipo de visão estivesse presente no Brasil há 10 anos, teríamos economizado muito dinheiro durante o boom da genômica. Há poucos anos, o Estado de São Paulo passou a contar com tantos sequenciadores de DNA quanto a Coreia do Sul. Todo mundo queria ter um! O mesmo ocorreu e ainda ocorre com diversos equipamentos que deveriam ser compartilhados.

No Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa, por exemplo, até o "tempo de bancada" dos cientistas é gerenciado, permitindo manter um número muito maior de pesquisadores trabalhando em um mesmo espaço, além de distribuir melhor outras atividades científicas, como leituras e redação de trabalhos científicos.

Isso também promove a integração entre grupos de pesquisadores e técnicos com interesses variados, para que troquem experiências e ideias em um processo criativo indispensável na ciência moderna.

Esse é outro exemplo a ser seguido no meio corporativo: permitir aos colaboradores uma interação produtiva, com ambientes e fóruns adequados à criatividade e troca de experiências e conhecimentos distintos.

Fomos doutrinados a achar que as boas ideias devem ser desenvolvidas a portas fechadas, enquanto percebemos cada dia mais sobre quão importantes são as parcerias institucionais e a democratização do acesso a informações.

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Luiz Vicente Risso é diretor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

Fonte: Brasil Econômico - 18/5/2011
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