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24/02/2011

Os pilares do cloud computing verdadeiro

Otto Pohlmann - Presidente-executivo da Centric System

A revolução que o cloud computing verdadeiro irá criar no mercado de TI será equivalente à revolução industrial que tirou o mundo do artesanato medieval de baixo volume para a produção industrial em larga escala e com baixo custo de produção. Os artesões atuais precisarão se adaptar a esta nova realidade.

Agora no início de 2011, o cloud computing já se tornou um conceito bastante discutido, e alguns provedores de recursos computacionais já procuram vender serviços de cloud computing, porém ainda estamos longe do cloud computing verdadeiro.

Atualmente, o que os provedores estão fazendo é na verdade vender hosting como se fosse cloud. A arquitetura atual ainda não ajuda aos provedores a oferecerem o Cloud Computing verdadeiro.

Enquanto alguém estiver vendendo VM como cloud computing, podem ter certeza: não estão vendendo cloud, estão vendendo hosting "vestido" de cloud. Apesar das tecnologias de virtualização atuais até serem úteis na organização e gerenciamento do cloud computing, existem três pilares fundamentais dentro do cloud computing verdadeiro.

Elasticidade com Self Service

É fundamental que qualquer sistema de cloud computing tenha operação self service com elasticidade. É necessário que o próprio administrador da nuvem tenha condições de ampliar/reduzir o tamanho dos recursos necessários de forma interativa, e a alocação deve de preferência ainda acontecer de forma automática, sob demanda. Atendimento à demanda automática é um dos pré-requisitos que cada dia mais será exigido dos serviços de cloud computing.

Cobrança por consumo

O billing por consumo é outra exigência para que os serviços em nuvem computacional se aproximem do ideal. Isso se chama Utility Computing, onde a utilização de qualquer recurso é cobrada exatamente pelo consumo. Exemplos típicos considerados Utility são serviços de fornecimento de água, energia, gás e telefone, aonde a cobrança vem de acordo com o consumo.

É a forma mais justa de cobrança, pois leva em conta a quantidade e o tempo utilizados. No Utility Computing, os recursos computacionais como processador, memória, armazenamento e banda, passariam a ser cobrados de forma identificada, de acordo com os custos específicos de cada recurso.

No cloud computing é importante saber de antemão quanto custo existe em cada recurso e concordar em pagar pelo consumo, da mesma forma como nós fazemos com água, energia, gás e telefone.

Stateless Computing

É a arquitetura computacional onde qualquer servidor pode ser automaticamente alocado para executar qualquer tarefa a qualquer momento, sem que esta tarefa esteja pré-associada a ele, e que após o processamento nenhum dado ou resquício de dado permaneça no processador.

Stateless Cloud Computing é a arquitetura computacional onde todas as informações modificadas pelo processamento feito pelo servidor ficam na rede, externamente ao servidor, incluindo as informações de configuração.

Assim como o consumidor de energia elétrica não se interessa em saber se o Watt que ele está consumindo foi gerado por Itaipu, Sobradinho ou Ilha Solteira, o usuário de cloud computing não vai estar nada interessado em saber em qual servidor (ou datacenter) a sua aplicação está sendo processada, ou em qual datacenter a sua informação está sendo armazenada.

A parte física de TI passará a ser totalmente irrelevante para os usuários de cloud computing. Poderão ocorrer algumas exceções: Usuários de determinado país com restrição a dados trans-fronteira poderão por conta da contratação, especificar que seus dados não podem residir fora do seu território nacional. Tais configurações orientariam o serviço de cloud inteligente a manter os todos os dados daquele cliente em datacenters no respectivo território nacional.

Com um sistema de cloud computing verdadeiro como o descrito acima, existe a possibilidade de aparecerem os brokers de cloud computing. Podem até não possuir nenhum recurso físico de processamento ou armazenamento, mas poderiam atuar como provedores de cloud computing para consumidores, e compradores de capacidade ociosa de processamento e armazenamento dos provedores de recursos computacionais (Datacenters). Seriam os famosos intermediários, que compram barato de quem tem sobrando e vendem caro pra quem tem necessidade dos recursos.

É bastante provável que estes intermediários passem a ser os grandes fornecedores de Cloud Computing, pois tem a informação preciosa de quem quer comprar e de quem quer vender.

Talvez surja até um mercado futuro de processamento através do qual estes brokers garantiriam o suprimento futuro de recursos. Com uma infraestrutrura de cloud computing verdadeira, sobre os pilares fundamentais descritos acima, brokers de cloud computing seriam difíceis de bater em preço, pois com recursos disponíveis em todo o globo terrestre, eles poderiam dinamicamente mover aplicações para servidores em regiões do globo com baixo consumo, e consequentemente baixo custo, naquele momento específico.

Um broker de CC localizado no Brasil poderia estar vendendo recursos ociosos no período noturno de datacenters da China, a um custo baixíssimo, porém extremamente atraente para o fornecedor chinês. E como o mundo gira, o vice-versa é verdadeiro.

Tudo isto sem intervenção humana, com o balanceamento geográfico em função de custos acontecendo automaticamente. Estaríamos criando assim uma enorme federação de recursos na nuvem, algo até difícil de imaginar, mas muito próximo de acontecer. Não haveria como um provedor convencional competir com uma estrutura globalmente federada, voltada para a eficiência de custos.

A Federação talvez fosse criada até a revelia dos fornecedores, mas não aderindo a ela talvez fosse impossível vender seus recursos computacionais. Quem sabe se o negócio de datacenter, no qual tanta gente investiu tanto dinheiro, venha a se tornar um negócio menos lucrativo num futuro não muito distante.

A revolução que o cloud computing verdadeiro irá criar no mercado de TI será equivalente à revolução industrial que tirou o mundo do artesanato medieval de baixo volume para a produção industrial em larga escala e com baixo custo de produção. Os artesões atuais precisarão se adaptar a esta nova realidade.

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Otto Pohlmann é presidente-executivo da Centric System, empresa especializada em soluções para centralização de sistemas e distribuidora do software GO-Global no Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 24/2/2011
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