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Santos, SP/

15/04/2011

Os países do Brics e o papel do dólar

Editorial

No final dos anos 60, portanto há mais de quatro décadas, o chefe de governo da França, General Charles De Gaulle, surpreendeu as potências do Ocidente ao questionar o papel do dólar como moeda de referência nas relações internacionais.

Sob a liderança dos Estados Unidos, as nações ocidentais ajudavam a protagonizar o período da guerra fria, como ficou conhecido e que vivia então o seu auge, reforçada pelo que se dizia ser a ameaça comunista da então União das Repúblicas Socialistas Soviética.

O posicionamento do presidente francês, a primeira de grande peso desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da reconstrução da Europa, causou, como era de se esperar, grande impacto por partir exatamente de um grande aliado.

Como se recorda, De Gaulle foi, com o apoio explícito dos Estados Unidos, o principal líder da resistência francesa à ocupação nazista. A manifestação teve pouco efeito prático e caiu no esquecimento, assim que o presidente francês se retirou da vida pública em 1969, ao ser derrotado em referendo sobre as reformas que propunha.

O novo perfil das relações entre as nações desenhado nas décadas seguintes, com o colapso do leste socialista, a ascensão da China como potência econômica e a reafirmação da liderança dos Estados Unidos, deixaram pouco espaço para que o assunto voltasse à tona, exceto em manifestações isoladas de analistas de finanças internacionais ou de governantes com pouco peso político.

Neste contexto, e respeitando-se as diferenças de época e de estilo entre os personagens envolvidos, ganha importância a declaração dos líderes do Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), que, ontem, reunidos em Hainan, na China, defenderam a renovação do sistema monetário internacional.

Querem menos dependência em relação ao dólar e sugerem também maior controle sobre os fluxos internacionais de capitais.

Não se trata de uma voz isolada, mas das principais lideranças de importantes nações emergentes. Desta vez, o pleito dificilmente cairá no esquecimento.

Fonte: Brasil Econômico - 15/4/2011
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