Clima e Previsão do Tempo
Santos, SP/

14/02/2011

Os desafios do futuro

Ozires Silva(*)

Desde que o ser humano surgiu no planeta, muito cedo começou a mostrar que seria um animal diferente, movido não somente para suprir suas necessidades fisiológicas, mas também por desenvolver uma capacidade mental de pensar, raciocinar e concluir por soluções que, mais e mais, transformaram e influenciaram o planeta.

A descoberta do fogo e o seu controle talvez tenham sido o mais gigantesco passo dado pelo homem e o que maior influência tenha tido na diferenciação entre ele e os demais animais.

A mobilidade sempre encantou o ser humano, e, novamente de forma diferente dos animais, o homem e suas tribos mostraram disposição de se deslocar, indo viver em lugares diferentes dos quais tinham nascido.

Aos poucos, foram criados os mais diferentes veículos, tudoevoluindo comrapidez, conseguindo cada vez maiores velocidades e flexibilidade.

As invenções do automóvel movido a petróleo, no final do século XIX, e do avião, no início do século XX, abriram oportunidades de deslocamentos não possíveis oupensadas até então. Tudo isso foi premido pela vontade irrefreável das inovações.

Entretanto, nem todas as populações e regiões geográficas participaram da mesma forma desta expansão da mobilidade ocorrida.

O cidadão médio de uma das nações mais ricas pode agir como se as distâncias fossem praticamente irrelevantes, ao passo que outros, de países mais pobres, ainda se deslocam como os seus ancestrais.

A poluição produzida pelos motores de combustão interna começou a degradar a qualidade do ar em um número cada vez maior de cidades.

E foi especialmente no final do século XX que as emissões de dióxido de carbono, provenientes da queima de combustíveis fósseis, uma grande parte das quais devidas ao transporte, começaram a ser reconhecidas, de maneira geral, como responsáveis pelas alterações do clima do planeta.

Ao final do século passado, cada vez mais pessoas começaram a perguntar-se se as extraordinárias tendências na mobilidade, crescendo em níveis insuspeitados, seriam suportáveis.

Surgiu a palavra "sustentabilidade",quecomeçou aser ouvida com maior frequência quase em todas as questões ligadas à produção, ao consumo e aos resultados do uso da energia.

Claro que já se entendeu que "mobilidade sustentável" poderia melhor ser entendida como "a capacidade de atender às necessidades da sociedade em deslocar-se livremente, em ganhar acesso, em se comunicar, estabelecer relações sem sacrificar outros valores fundamentais humanos ou ecológicos,hoje oufuturamente".

E, para a sociedade moderna, o termo"mobilidadesustentável"reflete preocupações que se centram em questões de como saber se os sistemas de transporte de que as nossas comunidadesdelesdependampoderão ser alterados de forma a atender às futuras necessidades mundiais da crescenteeirrefreávelmobilidade.

O que nos parece importante é que não podemos fazer simplesmente observações estáticas, pois a inteligência humana tem demonstrado enorme capacidade de quebrar paradigmas e encontrar soluções novas para problemas antigos.

A proposta que poderia ser antecipada seria mobilizar as forças da economia para financiar pesquisas e buscas de outras soluções, pois, as que estão disponíveis, certamente não são satisfatórias para produzir resultados adequados.

Apenas temos de manter a crença e a possibilidade, bastante real, de que algo de novo pode ser encontrado, garantindo que soluções existem, embora ainda não as conheçamos.

Precisamos apenas colocar o sentido da urgência quanto ao esforço necessário para mobilizar os meios para encontrá-las.

(*)Ozires Silva é reitor da Unimonte e ex-presidente de empresas como Petrobras e Embraer.

Fonte: A Tribuna (Tribuna Livre) - 14/2/2011
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