08/04/2011

Os 100 dias do governo Dilma Rousseff

Editorial

Os 100 dias, prazo em que o presidente americano Franklin Delano Roosevelt, eleito em 1932, elaborou e colocou em prática o "new deal", o grande pacto para tirar os Estados Unidos da depressão, passou a ser visto nos países democráticos como uma marca simbólica, uma espécie de período de trégua entre governante e governados.

É também o tempo em que acontecem as primeiras reações, positivas ou negativas, aos atos do novo dirigente, e que dão a tônica de como será o mandato.

Os brasileiros tiveram poucas oportunidades de fazer o julgamento dos cem dias, em função dos solavancos políticos do país, especialmente, nos últimos 50 anos, quando apenas dois presidentes eleitos democraticamente entregaram a faixa presidencial a seus sucessores.

A presidente Dilma Rousseff chega aos cem dias num contexto bem diferenciado na comparação com os antecessores, a começar pelos bons indicadores de emprego e renda da população.

"Dilma herdou uma leitura positiva do governo anterior, mas parte dos eleitores da oposição enxergou nela diferenças em relação ao Lula", diz o cientista político Antonio Lavareda, o que pode explicar as avaliações positivas recordes de seu governo.

Para quem chegou a acreditar que a presidente seria uma simples cópia do antecessor, foi rápido demais o seu descolamento de Lula.

A primeira indicação disso aconteceu antes mesmo da posse, quando em entrevista ao jornal americano Washington Post, a então presidente eleita criticou o governo do Irã pelo tratamento dispensado às mulheres no país "Dilma tem uma aprovação maior que os votos válidos do segundo turno. Não dá para falar mais em transferência de popularidade de Lula, que ficou afastado nesse período. Essa popularidade é só dela", diz Márcia Cavallari, diretora executiva do Ibope.

"Os 100 dias são um período de trégua. O jogo político começa a ser jogado agora", alerta Lavareda, o que pode explicar o discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), esta semana, relançando a oposição ao governo, coincidência ou não, quando este completa 100 dias.

Fonte: Brasil Econômico - 8/4/2011
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