Clima e Previsão do Tempo
Santos, SP/

01/03/2011

O que é um negócio?

Marcelo Nakagawa - Consultor e professor de empreendedorismo e inovação

Mais do que o lançamento de um bom livro, o que me deixa realmente impressionado são livros antigos que ainda continuam ótimos. Há vários de Peter Drucker que se encaixam nesta categoria. Um deles, The Practice of Management, publicado em 1954, trata em seu quinto capítulo da mais elementar questão da área de negócios: O que é um negócio?

A pergunta ainda gera discussões acaloradas. Há os desafios da sustentabilidade, da competição acirrada, da financeirização dos negócios, da visão de curto prazo, da governança corporativa, da consolidação de setores, entre outros que complicam a explicação sobre o que é um negócio, principalmente em definir o que é o seu negócio.

Mas afinal, você sabe o que é um negócio? Drucker descomplica sem apelar para a simplificação. Para ele, um negócio é criado e gerenciado por pessoas e não por forças.

As forças econômicas estipulam limites para o que a direção da empresa pode fazer, mas também criam oportunidades. Mas as forças, sozinhas, não determinam o que um negócio é e o que ela faz.

Um negócio não pode ser definido com base nos seus lucros. Ele explica que um executivo mediano de negócios responderia que uma organização existe para dar lucros. Ele acredita que um economista mediano também daria a mesma resposta.

Mas isto não é apenas falso, é irrelevante, na sua opinião. A teoria da maximização dos lucros, na sua opinião, é uma forma complicada de dizer comprar barato e vender caro. Lucro não é a explicação, a causa ou mesmo o racional no comportamento e decisões de um negócio, mas um teste para a sua validade.

O objetivo de um negócio é desenvolver clientes, afirma categoricamente. O propósito de um negócio deve estar fora da empresa em si, considerando todos por ele afetado. Isto deve estar relacionado com a sociedade, levando-se em consideração de que a empresa é um órgão da sociedade.

No entendimento de Drucker, o cliente é a base fundamental de uma empresa e responsável pela sua continuidade. Por esta razão, o que o cliente acredita que ele está comprando, o que ele considera como valor, isto é decisivo e determina o que a empresa é, o que ela produz e como prosperará.

Neste contexto, as funções básicas de uma empresa são marketing e inovação. Drucker defende que estas duas funções são empreendedoras. Como o objetivo de um negócio é desenvolver clientes, marketing é a função mais vital no seu entendimento, já que fica responsável por produzir o que o mercado consumidor demanda.

Ele explica que marketing não é uma atividade especializada, mas algo que deve ser exercido pela empresa inteira.

Mas como um negócio é algo que cresce, expande e muda, há a necessidade da inovação, responsável pela oferta de melhores bens e serviços. Já naquele momento (1954), Drucker defendia que inovação abrangia todas as fases do negócio.

Inovação poderia estar presente no design, no produto, nas técnicas de marketing. A inovação poderia ocorrer nas formas de precificação ou nos serviços ao cliente, na organização da empresa ou nos métodos de gestão. E, por fim, será a produtividade da empresa que determinará o lucro. Quando melhor a produtividade, maior o lucro. Simples assim.

Será que isto explica o negócio em que você trabalha hoje?

----------------------------------------------------------

Marcelo Nakagawa é consultor e professor de empreendedorismo e inovação

Fonte: Brasil Econômico - 1.º/3/2011
Voltar

Leia também

Programa ACS na TV: Prof. Dr. Édison Monteiro, Diretor Regional da UNIP Santos

CAFÉ: Café/Cepea: Janeiro é marcado por alta de preços e reaquecimento do mercado doméstico

MUNDO: Economia global desacelera em 2024

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site, de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.