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Santos, SP/

06/07/2011

O pré-sal e o colapso da logística

Carlos José Guimarães Cova - Professor de logística empresarial do curso de administração no formato EAD da UFRRJ

Atualmente, nessa encruzilhada em que o Brasil se encontra, existem muitas medidas que devem ser adotadas, sob pena de o país não conseguir avançar na sua trajetória para o desenvolvimento econômico.

A competitividade da indústria brasileira encontra-se prejudicada em virtude do gargalo na infraestrutura logística, que se configura em todos os modais de transporte.

Trata-se de uma condição que deve se agudizar em razão das demandas de suprimentos que as operações na exploração das plataformas da Petrobras na região das reservas de petróleo no pré-sal vão materializar.

A gestão de transportes é parte essencial de um sistema logístico, pois é a atividade responsável tanto pelos fluxos de matéria-prima, quanto dos produtos acabados entre os diversos pontos da cadeia logística.

Esta tarefa emprega um substancial volume de ativos das empresas envolvidas, que se encontram dispersos geograficamente, fato que torna a gestão de transportes ainda mais complexa.

Por sua vez, o gestor logístico deve se preocupar em planejar o modo de transporte mais eficiente para a rede logística, buscando sempre conciliar o conflito entre os custos (que devem ser minimizados) e o nível de serviço ao cliente.

A enorme complexidade gerencial, combinada com a intensa utilização de ativos e uma variedade de fluxos físicos de produtos fazem com que o transporte seja responsável pela maior parcela dos custos logísticos (o percentual deste quesito no total de custos logísticos fica entre 1/3 e 2/3 do valor total).

Assim, um bom gerenciamento dos transportes pode assegurar melhores margens para as empresas, por meio de reduções de custos e/ou uso mais racional dos ativos, proporcionando também um bom nível de serviço aos clientes, através de redução de tempos de entrega e do aumento da disponibilidade de produtos.

Tal planejamento implica uma estratificação das decisões a serem tomadas com relação aos transportes em uma rede logística, subdividindo-as, conforme o seu nível, em decisões estratégicas, táticas e operacionais.

Com relação à definição da rede logística, a necessidade de movimentação de materiais de um ponto a outro implica a realização de uma atividade de transporte.

Sob a ótica estratégica, a gestão de transporte influencia a concepção da rede logística, determinando a localização de fábricas e Centros de Distribuição (CDs) em função da localização de seus fornecedores, clientes e dos fluxos de materiais.

O objetivo das decisões tomadas nesse âmbito está fundamentado na busca do menor custo logístico total, mantidas algumas premissas de nível de serviço desejado, definidas pela empresa que vai operar a movimentação das cargas.

Por sua vez, a decisão relativa ao emprego de modais (rodoviário, ferroviário, dutoviário, aquaviário e aéreo) deve estar fundamentada nos impactos sobre os serviços e custos na rede logística.

Com relação ao nível de serviços, é preciso considerar o tempo de transporte "porta a porta", a consistência no tempo de entrega, a freqüência de entrega, a disponibilidade e a flexibilidade do modal.

Todos esses aspectos não podem ser sequer planejados sem que, efetivamente, se conheça a amplitude das possibilidades reais de operação, cujas restrições são postas pelas particularidades da infraestrutura disponível.

Por exemplo, em se tratando da exploração das reservas do pré-sal, é evidente que a cadeia logística vai passar por vários portos ao longo do litoral brasileiro. Considere-se apenas o Porto do Rio de Janeiro como elemento de definição das estratégias logísticas da Petrobras.

O planejamento da empresa deve, necessariamente, ser elaborado em consonância com os Planos Diretores que orientam a nova configuração do zoneamento urbano na área portuária, na qual a Prefeitura do Rio de Janeiro aposta firme seus projetos de revitalização.

Será que a Prefeitura já estimou o real fluxo de caminhões pesados que convergirão para o Porto no gargalo saturado do Caju e adjacências, com o advento da exploração no pré-sal? As obras de demolição do elevado da perimetral e os transtornos daí advindos foram considerados no planejamento da Petrobras?

Nos parece que há uma postura autista nessa questão tão crítica para o futuro do país. Esperamos que os principais atores envolvidos sejam capazes de alinhar suas estratégias.

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Carlos José Guimarães Cova é professor de logística empresarial do curso de administração no formato EAD da UFRRJ

Fonte: Brasil Econômico - 6/7/2011
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