Clima e Previsão do Tempo
Santos, SP/

11/04/2011

O Porto de Santos e o risco da estagnação

Coluna De Olho no Porto

Paulo Schiff(*)

No período de um ano entre abril de 2010 e março de 2011, a movimentação de cargas no Porto de Santos alcançou a marca histórica de 99 milhões de toneladas.

Para se ter uma referência do significado desse número, há apenas 10 anos, em 2001, a movimentação foi de pouco mais de 48 milhões de toneladas. Mais que dobrada em apenas uma década! Constituía recorde anual. E naquela época, o sonho colocado desde a Lei de Modernização / Privatização era o de atingir a casa de 70 milhões.

A prosperidade da economia mundial, a maior inserção do Brasil no comércio internacional e a ampliação da capacidade de operação explicam esse salto impressionante do Porto de Santos nas estatísticas.

Mas não garantem o futuro.

Esse futuro está esboçado nas projeções do Banco Interamericano de Desenvolvimento: movimentação de 240 milhões de toneladas em 2024 no cenário mais otimista. A previsão foi feita em 2009 e vem se confirmando. O relógio e o calendário, entretanto, estão correndo em velocidade bem superior à da adoção das providências de reforço de infraeestrutura necessárias para viabliizar esse esboço.

Alguns fatores que podem levar a movimentação à casa de 240 milhões não dependem do Porto propriamente dito. Quem garante, com tsunami no Japão e guerras na área do petróleo, por exemplo, que a economia mundial continue bombando? Quem garante, com os gargalos ferroviários, rodoviários, energéticos e de estocagem, que a produção brasileira continue num período de crescimento contínuo como o dos últimos anos?

Já outros fatores dependem direta e indiretamente de ações políticas relacionadas à gestão do Porto: os projetos de ampliação e as obras de infra-estrutura de acesso.

Os projetos de ampliação foram revestidos de alguma seriedade na última gestão da Codesp, já depois da criação da Secretaria Especial dos Portos. Mas enfrentam obstáculos para obter licenciamentos ambientais que não podem ser ignorados. Tanto que barraram por muitos anos até a dragagem de manutenção do canal de acesso aos berços de atracação.

Já as obras de infraestrutura dependem de força política. Quando compete por essas obras com outras regiões, Santos sai em desvantagem por já ter alcançado um nível de desenvolvimento que ainda não chegou na maior parte de outros estados do país. Só que isso é extremamente enganoso. Se as obras não vierem e a atividade portuária estagnar por asfixia, o Porto de Santos perde espaço. E no dinamismo da economia atual, estagnar e perder espaço equivale a uma sentença de morte.

(*) Paulo Schiff é jornalista. Email: prschiff@uol.com.br
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