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Santos, SP/

19/01/2012

O comércio exterior

Júlio Gomes de Almeida - Ex-secretário de Política Econômica e professor da Unicamp

Em 2011, o comércio exterior dos bens típicos da indústria de transformação foi deficitário em US$ 48,7 bilhões, um valor superior em 40,2% ao já expressivo déficit de US$ 34,8 bilhões registrado em 2010.

Outro dado negativo: a participação dos produtos industriais na pauta exportadora brasileira chegou a 57,8%, muito aquém dos 81,3% correspondentes ao ano 2000.

Responde por esse resultado um processo muito intenso de commoditização da pauta exportadora brasileira, o qual ganharia forte impulso após 2005 com o boom dos preços internacionais de produtos primários impulsionado pelo crescimento econômico chinês.

Outro movimento vai se tornando evidente nos últimos dados do comércio exterior brasileiro: dentro das próprias commodities tem havido um aumento dos itens de menor valor agregado.

De fato, commodities do setor extrativo mineral e da agropecuária vêm ganhando terreno vis-à-vis commodities industriais delas derivadas, fato este associado ao peso dos impostos e demais custos sistêmicos que incidem sobre o produto manufaturado quando são ampliadas as etapas de produção.

A propósito, o superávit comercial de US$ 78,5 bilhões que as mercadorias típicas da extração mineral (saldo de US$ 43,3 bilhões), da agropecuária (US$ 29 bilhões) e demais segmentos (US$ 6,2 bilhões) obtiveram mais do que compensou o déficit da indústria de transformação, levando a um saldo global de US$ 29,8 bilhões, um aumento de US$ 9,5 bilhões ante o resultado do ano anterior.

Exportar commodities é bom para o país porque ajuda a dar sustentabilidade às contas externas, mas a excessiva dependência de maiores preços para elevar as vendas desses produtos ao exterior, como ocorreu em 2011, é fator de vulnerabilidade.

No ano passado até novembro, segundo a Funcex, nossas exportações de produtos básicos foram 39,3% maiores do que em 2010, superando o crescimento de 29,2% das exportações totais. No entanto, o aumento em volume foi de somente 4,3%, enquanto os preços médios cresciam 33,7%.

O déficit comercial da indústria também não é em si ruim. Mas o quadro muda diante de duas constatações. Primeira, a velocidade com que o processo vem se desenvolvendo é inusitada e reveladora das forças adversas que estão em jogo.

O resultado comercial da indústria, cujo valor em 2011 foi negativo em quase US$ 50 bilhões, era superavitário em US$ 18,8 bilhões em 2007.

Em segundo lugar, o enorme descompasso entre o dinamismo do mercado consumidor doméstico e a produção industrial interna, como aconteceu em boa parte de 2011, evidencia uma súbita e enorme perda de competitividade da produção nacional em relação ao produto importado.

Assim, se as vendas do varejo cresceram 6,9% em termos reais no período de janeiro a novembro de 2011 perante o mesmo período de 2010, a evolução da produção de bens de consumo industriais foi negativa em 0,7%.

A capacidade ociosa na indústria mundial e a grande vantagem que um país como a China obtém com seu controle sobre o câmbio concorrem para a formação de agressivos preços nas exportações para o Brasil, o que desloca a produção de bens comercializáveis realizada no país, especialmente os da indústria.

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Julio Gomes de Almeida é ex-secretário de Política Econômica e professor da Unicamp

Fonte: Brasil Econômico - 19/1/2012

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