04/03/2011

O carnaval também precisa ser pacificado

Editorial

Os próximos quatro dias, quando o país todo se entrega aos festejos carnavalescos, terão um significado importante para o Rio Janeiro, onde as comemorações atingem sua expressão máxima.

Será o primeiro carnaval em que várias comunidades poderão se divertir sob proteção das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), livres do controle de traficantes de drogas e das milícias.

A bem-sucedida iniciativa tem conseguido garantir a tranquilidade da população e, certamente, terá como um dos efeitos positivos, o maior número de turistas nacionais e estrangeiros neste período de festa.

Uma prévia animadora foi o réveillon deste ano em Copacabana, que reuniu dois milhões de pessoas, sem ocorrências policiais graves.

Calcula-se que nestes dias será injetado R$ 1,5 bilhão na economia do Rio, volume significativo comparado com o gasto de R$ 28,1 milhões em subsídios do estado e da prefeitura, destinados às escolas de samba que, mesmo contando com outras fontes de recursos, como a exclusividade nas transmissões dos desfiles pela televisão, reclamam mais verbas oficiais.

Amparadas pela importância econômica do carnaval para a cidade, sua repercussão nacional e internacional, como a grande festa brasileira e, com o devido respaldo da principal rede de televisão do país, as escolas de samba conseguem minimizar o fato de abrigarem entre seus dirigentes conhecidos contraventores do jogo do bicho, vários deles com pendências na Justiça.

Os desfiles na Marquês de Sapucaí têm o controle direto da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), entidade, por sua vez, controlada pelo bicheiro e ex-presidente da entidade, Ailton Guimarães Jorge, o conhecido Capitão Guimarães.

Ocorre que o Sambódromo - um bem público - é entregue gratuitamente à Liesa, que fica com a receita publicitária do local, sem se submeter a qualquer tipo de fiscalização, o mesmo acontecendo com as verbas públicas que recebe.

Este é um bom momento para as autoridades do Rio de Janeiro pensarem em estender para a orla a ação moralizadora dos morros e colocar o carnaval em mãos confiáveis. Os brasileiros, em especial os cariocas, merecem.

Fonte: Brasil Econômico - 4/3/2011
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