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Santos, SP/

09/03/2012

O Carnaval e as inovações no modelo de negócios

Maximiliano Carlomagno - Sócio-fundador da Innoscience

Aconteceu recentemente o que, para alguns, é considerado o maior espetáculo da Terra: o desfile das escolas de samba do grupo principal do Rio de Janeiro. Um evento cada vez mais profissional e cheio de criatividade, algo tão escasso na realidade empresarial.

Será que as escolas de samba podem dar alguma contribuição aos empreendedores e executivos que tentam fazer com que suas empresas inovem?

Sempre fui torcedor da Mangueira. Minha mãe me passou esse sentimento pela "Verde e Rosa". Víamos os desfiles pela TV quando eu era criança e repetimos a dose nesse último Carnaval.

Por sinal, o carnaval de 2012 me chamou a atenção por um movimento realizado pela Mangueira. A escola executou uma "paradona" inédita no Carnaval. Sim, porque "paradinhas" já eram comuns. Não seria nenhuma inovação. Mas, neste caso, os 250 ritmistas ficaram sem tocar nenhum instrumento por cerca de 2 minutos em plena avenida.

A Mangueira resolveu arriscar. Parar tudo e deixar somente os integrantes e o público cantar o samba. Durante seis meses ensaiou o novo movimento. O próprio mestre Ailton admitiu o receio.

No meio da bateria, os artistas Dudu Nobre, Alcione e o grupo Fundo de Quintal fizeram uma roda de samba e cantaram o enredo. A resposta foi fantástica. A Apoteose foi tomada pela emoção e o público cantou junto.

O hábito de consultor me levou logo a pensar: era uma inovação. Algo novo que daria resultado. Resolvi esperar e ver as notas dos jurados. Na abertura dos envelopes do júri, percebi que realmente a "paradona" poderia ser considerada uma inovação.

A Mangueira recebeu notas 10 de todos os jurados no quesito bateria. Mas ficou com o título? Não. Acabou em sétimo lugar. O título novamente foi para a Unidos da Tijuca, que ganhou o segundo nos últimos três anos. Por que se a Mangueira até inovou?

A Unidos da Tijuca inovou nos últimos anos de forma mais abrangente e profunda. No ambiente de negócios diríamos que a Mangueira fez uma inovação incremental de processo, mas a Unidos da Tijuca, do carnavalesco Paulo Barros, introduziu em 2010 uma inovação radical no modelo de negócio. Repensou o espetáculo como um todo. Sua estética. Sua mecânica. Sua abordagem. As surpresas. Algo como o Cirque du Soleil das escolas de samba.

O ambiente empresarial é pródigo em empresas que inovaram em produto ou processo mas foram suplantadas por inovações de modelo de negócio. Com a Mangueira não foi diferente. Sua inovação foi importante. Teve repercussão positiva. Atingiu resultados. Mas não foi suficiente.

Assim como as empresas, as escolas também precisarão aprender que para suplantar o líder será preciso uma inovação no modelo de negócios ou maior eficiência no modelo do atual vencedor, algo difícil, dado que dos 300 pontos possíveis, a Unidos da Tijuca obteve assustadores 299,9, perdendo apenas 0,1 no quesito alegorias e adereços.

Assim como as escolas, as empresas deverão repensar seus modelos de negócio e compreender os diferentes tipos de inovação. Até lá, aguardemos o próximo carnaval e as potenciais inovações. Estarei lá para conferir e aprender mais um pouco sobre gestão da inovação.

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Maximiliano Carlomagno é sócio-fundador da Innoscience

Fonte: Brasil Econômico - 9/3/2012

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