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Santos, SP/

24/05/2011

Nota C para a FedEx

Marcelo Nakagawa - Professor e consultor de empreendedorismo e inovação

Não sei como você avaliaria a FedEx, mas a primeira nota que ela recebeu, mesmo antes de ter sido criada foi C. Isto porque a nota foi melhorada. Era para ter sido pior.

Pelo menos é o que confidenciou Fred Smith. Em 1965, ele era estudante da Yale University e precisava elaborar um plano de negócio para uma das disciplinas do seu curso de economia. Imaginou um negócio de entregas expressas, que concorreria diretamente com os correios dos Estados Unidos.

Seu professor ao ler o plano sentenciou: "O conceito é interessante e bem formulado, mas para ganhar uma nota melhor do que C, a ideia precisa ser viável".

Seis anos depois, em 1971, o plano de negócio nota C viraria realidade com o nome de Federal Express ou simplesmente FedEx. Até hoje Fred Smith, o fundador da FedEx não sabe como este C o ajudou a planejar um negócio melhor.

Ele nem mesmo se lembra direito se recebeu um C ou não. Mas o fato é que o tal professor de Yale entrou para a história do empreendedorismo como o cara que quase não aprovou um grande negócio.

Mas será que planos de negócio de outras empresas de sucesso teriam sido aprovadas? Steve Jobs e Steve Wozniak nem sabiam o que era um plano quando começaram a Apple em 1976. E não teriam sido aprovados por Ken Olson, fundador da Digital Equipment Corporation (DEC), a bambambã de tecnologia da época.

O argumento de Olson era simples: "Não há nenhuma razão para alguém querer ter um computador em casa".

Mesmo várias empreitadas recentes, como o Twitter ou o Zynga, teriam seus planos de negócio criticados. Por que alguém iria ler mensagens de 140 caracteres sobre o que eu estou fazendo ou pensando agora?

E o que responderia se alguém viesse perguntar se você estaria interessado em cuidar de uma fazendinha virtual na internet com galinhas que botam ovos e tudo mais?

Até o "plano de negócio" de Cristóvão Colombo foi criticado e até zombado. Afinal quem era aquele genovês maluco com um mapa debaixo do braço que jurava ser possível chegar as Índias pelo Ocidente?

Ele apresentou seu plano durante sete anos para potenciais investidores em Portugal, Veneza, Gênova e Inglaterra até chegar aos reis de Leão e Castela.

É nisso que fico pensando quando analiso os planos de negócio dos meus alunos. O sujeito que trabalha com aceleração de regeneração óssea humana vai ser o próximo megacase de sucesso de empreendedorismo?

Ou será a empresa que desenvolve uma superplataforma onde qualquer um pode desenvolver aplicativos móveis? Quem sabe a que desenvolve nano aplicativos químicos?

Talvez aposte nos alunos que trabalham com sistemas de energia solar muito mais eficientes? Quem sabe a empresa que desenvolveu uma nova tecnologia de prospecção de petróleo e gás? Ou a de kits de diagnósticos para animais de estimação que ainda não tem nenhum concorrente direto no país?

Mas tem a empresa que faz busca local, que é o próximo grande desafio do mercado mundial de buscas. Ou a que tem uma plataforma completa para novos empresários de comércio eletrônico? Ou qualquer um dos outros 11 negócios que tenho na sala?

Será que terão a mesma trajetória do plano da FedEx que recebeu nota C, ou dos demais que receberam A e B?

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Marcelo Nakagawa é professor e consultor de empreendedorismo e inovação

Fonte: Brasil Econômico - 24/5/2011
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