07/04/2011

Negócios da China

José Dirceu - Ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

A presidenta Dilma Rousseff embarca nesta semana para a China para encontrar-se com seu homólogo Hu Jintao e levar 300 empresários brasileiros ao país que mais cresce no mundo, para avaliar possibilidades de negócios.

A reunião entre representantes dos dois Brics (grupo de países emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia e China) economicamente mais bem sucedidos - o segundo e o sétimo PIBs do mundo - será a mais longa viagem internacional da presidenta, com razão.

A agenda a tratar com a potência asiática é vasta, e inclui assuntos de suma importância para o desenvolvimento brasileiro nos próximos anos.

Em primeiro lugar, tem de constar da agenda de Dilma negociar o apoio da China por uma solução consensual para a guerra cambial e comercial global, que está desvalorizando o dólar e prejudicando o comércio dos países emergentes.

Se puser o assunto em pauta, a presidenta se colocará em posição de porta-voz das nações em desenvolvimento, como a África do Sul, que passará a integrar formalmente o grupo chamado Bric a partir de um seminário a ser realizado na China.

Outro tema político que não pode deixar de estar em debate é o apoio à admissão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança, reivindicação que o presidente Barack Obama driblou com uma declaração lacônica de "apreço à ideia" e que a China tem oportunidade de abraçar, portando-se de acordo com a posição de grande potência mundial do século 21 que o país caminha para ocupar - nossas diplomacias já têm diversos pontos em comum, como a oposição à intervenção na Líbia e às sanções contra o Irã.

São temas complexos, sobre os quais não vale nutrir esperança por resposta imediata ou propostas de curto prazo.

Por outro lado, não faltam pontos nos quais Brasil e China podem e devem avançar rapidamente, como o esforço pelo equilíbrio da balança comercial com aquele que é, hoje, nosso maior parceiro: embora o Brasil esteja em situação de grande superávit em relação à China (cerca de US$ 5 bilhões), é de nosso interesse abrir o mercado chinês para produtos de alto valor agregado, e não apenas commodities, como a soja.

A presidenta tem ainda a oportunidade de atrair empresários e o Estado chinês para investimentos conjuntos no Brasil, em áreas estratégicas como a agricultura e a exploração do petróleo, e também de permitir que as empresas brasileiras invistam na China e tenham oportunidade de crescer junto com o país.

É promissor, ainda, que o governo brasileiro tenha a oportunidade de atrair empresas chinesas para disputar a instalação do trem-bala Rio-São Paulo. E para isso o governo até suspendeu o prazo da concorrência por quatro meses, de olho na expertise que os chineses têm nessa área.

São laços que têm de ser reforçados pelos governos de ambos os países, de forma a qualificar o já intenso intercâmbio comercial entre Brasil e China, economias novas e vibrantes que, juntas, criam um mar de oportunidades, também políticas, se se empenharem na construção de um novo paradigma de colaboração internacional. O negócio da China, nesse caso, é o futuro.

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José Dirceu é ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

Fonte: Brasil Econômico - 7/4/2011
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