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25/03/2012

Na internet, é preciso ser rápido – A Tribuna – 25/3/2012

Publicada em:
A Tribuna, 25/3/2012, domingo, página C-1, Economia

- Fundador do Bondfaro, Gustavo Guida Reis, experiente com apenas 35 anos, conta os segredos do mundo dos negócios na rede

LUCAS KREMPEL
DA REDAÇÃO

Economista de formação e empreendedor por força de vontade, o carioca Gustavo Guida Reis, 35 anos, é um exemplo de pessoa bem-sucedida no ramo de tecnologia. Em 2000, ele viu um problema na diferença de preços entre as lojas e resolveu isso com uma "fotografia do mercado". E assim nasceu o site Bondfaro, um comparador de preços na internet.

"A partir do Bondfaro, o consumidor viu quais lojas possuíam os melhores preços e produtos. Na época, eu não sabia que existiam outros sites", conta o empresário, que esteve em Santos.

Ele tinha só 23 anos, recém-formado pela PUC do Rio de Janeiro, quando investiu com outros quatro amigos na criação do Bondfaro.

Seis anos depois, o site recebeu um aporte adicional do fundo de investimentos Great Hill Partners para uma fusão com o Buscapé, o maior concorrente, que iniciou as atividades um ano antes.

Após a fusão com o Buscapé, Reis trabalhou dez meses como diretor na empresa, gerenciando 20 funcionários. Em 2009, o grupo sul-africano Naspers Limiteds pagou US$ 342 milhões por 91% das ações do Buscapé, uma das maiores transações da história da internet. Ele, no entanto, não tinha mais ligações com a empresa.

Mesmo sem revelar quanto lucrou na fusão com o Buscapé, é possível dizer que o co-fundador do Bondfaro recebeu alguns milhões pela transação, tendo em vista a negociação do Buscapé com a Naspers.

NOVOS PROJETOS
Atualmente, o carioca se dedica a um novo projeto, o Help Saúde, chamado de Google da Medicina, uma ferramenta de busca por médicos.

O carioca veio contar a sua história em Santos, na Semana do Jovem Empreendedor, evento da ACS Jovem, grupo ligado à Associação Comercial deSantos.

Reis lotou o auditório da Universidade Santa Cecília (Unisanta) durante o evento da ACS Jovem na semana passada. Na plateia da Unisanta, universitários que enxergavam em Reis a possibilidade de buscar conhecimento para empreender.

Apesar de dividir a mesa com outros três empreendedores (Pricila Gomes, do BRNewTech, Tomas Campos, do GrowVC, e Helder Knidel, do Tuilux) Reis era disparado o profissional mais requisitado pelo público. O case de sucesso do Bondfaro desperta a curiosidade em todos os lugares que o empreendedor aparece.

TSUNAMI DE DIFICULDADES
No entanto, para alcançar o status de estrela do mundo dos empreendedores, Reis enfrentou uma série de dificuldades.

Uma delas, logo no começo do Bondfaro, quando teve pela frente a primeira bolha da Internet. Em 2000, as empresas baseadas na internet tiveram uma forte valorização, mas muitas quebraram subitamente um ano depois. Foi um tsunami no setor.

O Bondfaro foi lançado no auge da crise, quando a internet passou a ser sinônimo de prejuízo para os investidores. A solução de Reis e dos seus sócios foi reduzir custos. Saíram de um escritório de 160 metros quadrados para uma sala de 50. Os salários deles também encolheram.

Após a fase de nebulosidade na rede, o Bondfaro faturou R$ 6 milhões em 2004 ­ dois anos antes da fusão com o rival Buscapé. "Eles (o Buscapé) sempre foram maiores, mas mirávamos neles. Se você não é o primeiro, você precisa fazer melhor. Buscar sempre quem está na frente".

Depois de sair do Buscapé, em 2007, Reis decidiu aplicar o dinheiro em outra área. Investiu, juntamente com Guilherme Pacheco e Elias Abifael, na loja British Colony, no Rio de Janeiro.

O comércio, primeiro dele fora do mundo virtual, vende roupas do renomado estilista Maxime Peremulter.

"É uma operação a qual não estou acostumado. Na minha concepção tenho um uso melhor para o meu dinheiro do que aplicar em um ponto. Eu não tinha muito o que agregar lá".

Em 2009, Reis fundou a Samba Ventures, uma incubadora de projetos para internet. A primeira experiência do empreendedor foi com a ferramenta Tuitefone, plataforma que permitia aos usuários enviar tweets de voz. Mas a ideia não vingou.

"Na internet, se você tiver que falhar, é melhor ser rápido. O Tuitefone era interessante, mas não foi para frente".

O segundo projeto da incubadora, o Help Saúde, tem um futuro melhor, segundo Reis. Ele conta que investiu R$ 1,5 milhão e está confiante que marcará o "golaço da carreira".

"Não existe ninguém que faça o que eu faço. Existe quem faz um pedaço. Quero integrar pacientes, médicos e indústria farmacêutica na mesma plataforma".

Com 2 milhões de visitas por mês, o carioca acredita ter encontrado o caminho do sucesso novamente. "Ainda não tive o retorno do que eu investi e nem vou ter tão cedo. Fechei R$ 1 milhão com um investidor e estou em mais uma rodada, agora muito maior".

VENDA À VISTA?
Questionado se esse é o primeiro passo para uma possível venda do Help Saúde, movimento comum entre os empreendedores do setor de tecnologia, Reis tenta desconversar, mas deixa escapar um dos objetivos. "Obviamente que devo vender um pedaço da empresa nos próximos anos, mas isso é comum para crescer".

Afinal, ganhar dinheiro para quem está no negócio de risco da internet é algo bem natural.

AMBIÇÃO

"Se você não é o primeiro, você precisa fazer melhor. Buscar sempre quem está na frente"

"Na internet, se você tiver que falhar, é melhor ser rápido"

"Não existe ninguém que faça o que eu faço. Existe quem faz um pedaço"

BONDFARO

"A partir do Bondfaro, o consumidor viu quais lojas possuíam os melhores preços e produtos. Na época, eu não sabia que existiam outros sites"

Confira a chamada da reportagem na capa de A Tribuna

Confira a reprodução da reportagem

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