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Santos, SP/

28/02/2012

Na crise, investidores pagam para emprestar dinheiro aos EUA

Radar Econômico

Sílvio Guedes Crespo

Um país que dobrou sua dívida em cinco anos, continua gastando muito mais do que arrecada e deve manter esse hábito por muito tempo tem crédito no mercado?

Sim. E muito. “Este é o melhor dos tempos para o mais voraz dos tomadores de empréstimos: os Estados Unidos da América”, afirmou o “New York Times” em reportagem nesta terça-feira, 28.

Conforme noticiou o jornal, alguns investidores aceitam, inclusive,  perder dinheiro ao emprestar para os EUA. Os títulos com vencimento em cinco anos oferecem um retorno abaixo da inflação projetada. Quem compra esses papéis tem uma perda de 1% ao ano.

Mas não são todos os títulos americanos que rendem menos que a inflação; na média, diz o jornal, eles empatam com a alta de preços.

Rombo no orçamento

E como estão as contas públicas dos EUA, país no qual os investidores tanto confiam?

- A dívida passou de US$ 8,2 trilhões em 2006 para US$ 15 trilhões em 2011;

- o próprio governo admite, no orçamento deste ano, que gastará US$ 1,3 trilhão a mais do que arrecadará;

- o país está no quarto ano seguido de déficit superior a US$ 1 trilhão no orçamento;

- o governo projeta continuar deficitário por pelo menos mais dez anos.

Melhor agora

Quem olhar para trás pode até ter a impressão de que a crise ajudou o governo americano. No final de 2006, os EUA pagavam em média juros de 4,92% ao ano aos investidores; ao término de 2011, apenas 2,24%.

Por causa dessa queda na taxa de juros, o valor absoluto que o governo dos EUA gastou com juros em 2011 (US$ 227,1 bilhões) foi praticamente igual ao que ele despendeu em 2006 (US$ 226,6 bilhões), quando a dívida era a metade da atual.

Fim de festa

Mas essa situação confortável não é para sempre, segundo analistas ouvidos pelo jornal. Ela ocorre porque os investidores não têm alternativas de papéis seguros para comprar. À medida que a economia americana retomar o crescimento, os investidores começam a ter mais opções para aplicar seu dinheiro e a demanda por títulos públicos americanos tende a cair. Se a situação da Europa melhorar, o mercado terá ainda mais alternativas aos papéis dos EUA.

Fonte: O Estado de S. Paulo - 28/2/2012

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