11/05/2011

Muito prazer: “Meu nome é gargalo”

Coluna de Olho no Porto

Paulo Schiff(*)   

As notícias da economia brasileira, para quem tem atividades vinculadas à movimentação portuária, são super-animadoras.

Na embarque de commodities agrícolas, a previsão é de um recorde expressivo nesta temporada. O levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento – Conab – nesta semana indica que a marca alcançada na safra 2009/2010, de 149,2 milhões de toneladas, vai ser batida com folga na colheita 2010/2011. Mais área plantada e condições de clima favoráveis devem elevar esse número para perto de 160 milhões de toneladas. É muito algodão, muita soja, muito arroz e muito feijão.  

O movimento de contêineres também registra elevação expressiva. O Porto de Santos, líder desse ranking pela Unidade de Serviços de Infra-estrutura da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) deve atingir 3 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) no final do ano. Se essa projeção de crescimento superior a 10% se confirmar, Santos chega no limite da capacidade instalada. E os diretores da Codesp passam a acordar mais cedo para rezar pela aceleração das obras de construção da BTP e da Embraport e de ampliação do Tecondi.

O café também é uma commoditie que volta a ser recebida com tapete vermelho em Santos. O Brasil arrecadou, no primeiro quadrimestre deste ano, 1 bilhão de dólares a mais do que no período janeiro-abril do ano passado: US$ 2,5 bilhões em sacas de café. O aumento em relação a 2010 é de 66,6%. De cada cinco sacas de café vendidas pelo País, quatro embarcaram no Porto de Santos. Em 2010, o Porto embarcou nesse período 7,4 milhões de sacas. Em 2011, 8,6 milhões. Os dados fazem parte do levantamento divulgado na semana passada pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

No meio de todo esse otimismo, entretanto, uma notícia tem potencial para acionar um alerta vermelho na área logística e no setor portuário: o esgotamento da capacidade de recepção e embarque de passageiros de cruzeiros nos portos brasileiros. Depois do boom do início deste século, que multiplicou ano a ano a escala desses navios nos portos brasileiros, a previsão é de retrocesso na próxima temporada. De acordo com dados da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), o País pode perder até 20% da oferta de navios na temporada 2011/2012. E isso pode acontecer mesmo com a demanda dos consumidores em plena tendência de alta. Os portos é que estão próximos da saturação.

A má notícia coloca uma sombra nas três boas. A saturação já fez a primeira escala na área dos cruzeiros. Será que as próximas paradas são nos setores do café, dos grãos e dos contêineres?

(*) Paulo Schiff é jornalista. Email: prschiff@uol.com.br
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