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Santos, SP/

21/01/2011

Milagre Econômico

Eduardo Pocetti - CEO da BDO no Brasil

Otimismo é sempre bom, mas os mais antigos nos ensinavam que "cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". Refiro-me à onda de confiança que movimenta a economia brasileira e estimula grande parte de seus agentes. Eu mesmo me classifico como um otimista entusiasta. Mas vamos aos argumentos.

É inegável que o cenário nacional desperta entusiasmo, especialmente diante de dados econômicos tão positivos como os que registramos ultimamente. Há pouco, ficamos sabendo que, entre janeiro e dezembro de 2010, houve a criação e ocupação recorde de 2,5 milhões de novas vagas de empregos formais.

Ao longo dos últimos oito anos, foram 15 milhões de novos empregos com carteira assinada, segundo o Ministério do Trabalho. O Brasil possui hoje mais de US$ 290 bilhões em reservas internacionais, o que dá mais segurança para enfrentar crises.

A indústria automobilística nunca produziu e vendeu tanto quanto no ano passado. A atividade comercial também registrou alta de 10,3%, na comparação entre 2010 e 2009.

A safra de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu quase 150 milhões de toneladas no ano passado, volume recorde na agricultura. Isso, sem dúvida, ajudou em outra marca histórica, nas exportações, que somaram US$ 201,9 bilhões em 2010.

Também as importações foram recorde, com US$ 181,6 bilhões. São dados que tendem a animar os gestores e os responsáveis pela tomada de decisões em investimentos.

No entanto, há uma série de fatores que podem transformar-se a qualquer momento em ameaças, como são os exemplos da queda no superávit das contas públicas, da ameaça de sobrevalorização do real em relação ao dólar, da eventual falta de infraestruturas disponíveis para atender à demanda em crescimento e da escassez de profissionais qualificados e disponíveis para ocupar as vagas abertas pelos setores em expansão, fenômeno que vem sendo apelidado de "apagão da mão de obra".

O governo tem demonstrado estar atento às ameaças, como foi a eficiente reação para segurar a cotação do real e dirimir uma crise cambial. Vale ressaltar que o real deixou recentemente o topo da lista das moedas mundiais mais valorizadas em relação ao dólar e passou a ocupar a 11ª colocação, entre 16 divisas listadas. Isso é fruto das medidas tomadas pelo governo.

Mas não podemos esquecer exemplos do passado, como é o caso do milagre econômico da era dos governos militares. Na década de 1970, o Brasil vivia grande euforia, com consumo em alta, oferta de empregos e crescimento anual acima dos 10%.

Pois bastou a crise do petróleo para acabar com anos seguidos de bonança e jogar o Brasil naquela que foi conhecida como uma das décadas perdidas: os anos 1980, com inflação galopante, desemprego em alta e estagnação econômica.

Volto a lembrar: "cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". Alimentemos nosso otimismo, mas com cuidado, observando todos os fatores que envolvem a economia e criando os mecanismos e ferramentas necessárias para evitar efeitos nocivos de eventuais crises que possam afetar e prejudicar nosso país.

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Eduardo Pocetti é CEO da BDO no Brasil

Fonte: Brasil Econômico - 21/1/2011
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