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Santos, SP/

12/03/2012

Lições para o Brasil da tragédia grega

Joaquim Castanheira - Diretor de redação do Brasil Econômico

A crise econômica iniciada em setembro de 2008, com a quebra do banco americano Lehman Bothers, não para de prover o mundo de situações carregadas de ironias.

A primeira delas foi o resgate bilionário, feito com o dinheiro publico, do sistema financeiro e de companhias privadas nos Estados Unidos - justamente o país que prega, como um dogma, que as forcas do mercado devem encontrar seus próprios meios para resolver os problemas que o afligem.

No final de semana, os países desenvolvidos deram mais um exemplo dessa faceta irônica. Desta vez, a fonte foi a Grécia e sua aparentemente insolúvel tragédia financeira.

Sob o peso de uma dívida impagável, o país foi à bancarrota e se viu obrigado a pedir auxílio aos vizinhos europeus. Resultado: um acordo com os credores privados, fechado na última sexta-feira, representou o maior calote da história do capitalismo mundial.

Os bancos amargaram um prejuízo de € 100 bilhões, valor do "desconto" que foram obrigados a conceder para que a União Europeia socorresse a Grécia com € 130 bilhões. A dívida reestruturada soma € 206 bilhões.

Mas onde está a ironia nessa verdadeira tragédia grega? Pois bem, está no passado, um passado que envolve o Brasil. Durante mais de duas décadas, a economia brasileira sangrou pagando uma dívida externa avassaladora.

Para honrar seus compromissos, o país amargou anos e anos de uma situação econômica que oscilava entre a recessão e a estagnação. Não contou, durante esse período, com um pingo de compreensão das instituições financeiras globais ou dos governos estrangeiros - uma compreensão que sobra para a Grécia atualmente.

Pagou até o último centavo e, numa reversão total, tornou-se, inclusive, credor de alguns organismos, como o FMI.

Quem adotou a postura correta foi a Argentina, que impôs a seus credores um acordo do tipo "é pegar ou largar." Houve choro e ranger de dentes entre os neoliberais de plantão, mas, no final, a grande maioria dos credores aceitou as condições de nossos vizinhos.

Tudo bem. Todas as queixas derramadas no texto acima podem se transformar numa choradeira sobre o leite derramado. Mas também podem significar uma lição preciosa sobre o comportamento que um governo deve adotar diante de crises econômicas agudas: pense, antes de tudo, no que for melhor para o país.

Durante anos, os manda-chuvas brasileiros se guiaram pela lógica absoluta de conceitos forjados nos países desenvolvidos - como se esses conceitos não atendessem os interesses desses mesmos países.

Segundo eles, a prioridade de qualquer economia deveria ser o cumprimento, a qualquer preço, dos compromissos financeiros com os grandes bancos e órgãos financeiros internacionais.

Mesmo que, nesses compromissos, estivessem embutidos juros estapafúrdios e cobranças duvidosas. O Brasil foi um dos poucos países que acreditou nessa história.

A saída grega indica que a subserviência não é o melhor caminho e o Brasil deve ficar atento para não cair novamente nesse erro.

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Joaquim Castanheira é Diretor de Redação do Brasil Econômico

Fonte: Brasil Econômico - 12/3/2012

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