06/07/2011

Incentivos para uma real cultura de inovação

Luis Vicente Rizzo - Diretor-superintendente do Instituto Israelita de Ensino de Ensino e Pesquisa Albert Einstein

O Brasil está no centro das atenções da comunidade internacional por seu desempenho econômico e crescimento dos últimos tempos. Esta euforia, no entanto, não pode nos cegar a ponto de desconsiderarmos questões que precisam mais atenção.

Uma condição sine qua non para continuarmos nosso processo de expansão é, por exemplo, tratar de desenvolver nossa cultura de inovação, de fato.

Se queremos que nossa indústria enfrente cada vez mais a competição de produtos com outros países, se desejamos que nossa medicina seja cada vez melhor e mais avançada e se esperamos que o Brasil seja realmente o país do futuro, nos falta dar mais atenção a esta questão.

O que temos hoje, neste sentido, são ações isoladas que, juntas, não têm o efeito desejado de criar uma verdadeira cultura de inovação, que possa atravessar os mais variados setores e entidades.

O Brasil tem algumas ilhas de inovação, como é o caso do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein. Mas é necessário que a atitude inovadora seja parte do país como um todo.

A realidade é que continuamos com uma política de incentivo para a ciência e tecnologia que sofreu pouca mudança nos últimos 50 anos. Tivemos avanços, mas ainda temos longo caminho a percorrer na cultura de inovação.

É verdade que temos a Lei do Bem, que criou incentivos fiscais que as pessoas jurídicas podem usufruir desde que realizem pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica. Num primeiro momento, essa lei parece ótima, mas há que se considerar alguns outros fatores.

Tal iniciativa não apresenta um grande impacto, uma vez que a maioria das pesquisas no país é realizada em ambiente governamental. Para investir em pesquisa tecnológica e inovação, é preciso muito mais que incentivos fiscais. Eles são uma ferramenta a se considerar, é verdade, mas apenas isso não nos colocará ao lado de países que tratam deste assunto com mais dedicação.

No Brasil, depositar uma patente ou proteger intelectualmente uma ideia ainda é difícil e caro. Nossas empresas também encontram dificuldades para a obtenção de financiamentos, especialmente se considerarmos a área básica de pesquisa.

No caso de financiamento, uma opção que poderia ser considerada por aqui vem de um exemplo americano. Nos EUA, por políticas de estado que datam de mais de 100 anos, a doação filantrópica para a ciência é incentivada por leis que levam investidores inteligentes a fazê-lo.

Não é tão incomum encontrar, nas páginas dos jornais, notícias sobre doações deste ou daquele grande investidor americano para desenvolver pesquisas.

Nosso potencial humano é enorme. Historicamente, temos importantes expoentes nacionais de inovação, como Vital Brazil, Carlos Chagas e Maurício Rocha e Silva.

Neste momento, há inúmeros cientistas, médicos, biomédicos e outros profissionais que poderiam se tornar grandes nomes de nossa inovação, mas eles não encontram ambiente adequado para desenvolver ideias.

Como já afirmei, temos já algumas ferramentas que incentivam a pesquisa e inovação, mas é necessário muito mais para que tenhamos continuidade científica e, finalmente, uma real cultura de inovação.

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Luiz Vicente Rizzo é diretor-superintendente de pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (Iiep)

Fonte: Brasil Econômico - 6/7/2011
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