06/04/2011

Importação de gasolina para substituir etanol

Editorial

Nunca, desde a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), em 1975, os preços desse combustível atingiram níveis tão elevados como na atual entressafra. Motoristas reclamam e se revoltam sem entender por que são obrigados a pagar até R$ 2,30 por litro mesmo em postos mantidos pelas próprias usinas, situação em que o produto não está sujeito ao acréscimo de custo da distribuição.

Entendem menos ainda quando verificam que em postos muito distantes do centro de produção, portanto sujeitos ao custo do transporte, o preço é o mesmo ou até menor.

Essa distorção no abastecimento está conduzindo o país ao paradoxo de importar gasolina para suprir a falta de etanol, quando todo o incentivo à produção desse insumo tem como justificativa a substituição do combustível de origem fóssil. Ou seja, nesse momento o efeito está sendo exatamente o oposto do pretendido.

A justificativa é sempre o período de entressafra, de dezembro a abril, quando as usinas interrompem a moagem. Contudo, situações anteriores de alta mostraram que o reinício da produção plena, no decorrer de maio, provocam um recuo dos preços quase sempre num patamar acima dos verificados nos períodos anteriores ao da interrupção da produção. Já se prevê que, dessa vez, acontecerá o mesmo.

Além da sazonalidade, a alta de preço também é atribuída aos efeitos da estiagem de 2010, que teria afetado a produtividade da cana-de-açúcar, ao atraso na implantação de novos projetos de usinas, especialmente no Centro-Oeste e à extraordinária valorização do açúcar no mercado internacional.

Em busca de mais rentabilidade, os produtores optaram por produzir mais açúcar em detrimento do etanol.

Cabe indagar se, por ser um combustível estratégico, e com produção fortemente apoiada em linhas oficiais de crédito subsidiado, não é o caso de se exigir um compromisso dos usineiros de garantir um volume constante de etanol, com estoque regulador para a entressafra.

O primeiro passo para isso seria ampliar a intervenção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) no setor, a partir da produção e não apenas na distribuição como tem acontecido.

Fonte: Brasil Econômico - 6/4/2011
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