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Santos, SP/

13/09/2011

Gasto com banda larga pode atingir R$ 70 bilhões

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reduziu, ao menos em parte, a preocupação manifestada por executivos das empresas de telecomunicações ontem, no primeiro dia da Futurecom, o principal evento do setor no país: quem e como vai bancar os investimentos necessários para que o país tenha uma rede ampla de banda larga.

Bernardo anunciou que técnicos dos Ministérios da Fazenda e das Comunicações fecharam a proposta que vai isentar de pagamento de PIS-Cofins os fabricantes de equipamentos, fibras ópticas, sistemas de rádio e empresas de engenharia civil que instalarem e fornecerem infraestrutura de rede. Nas contas do ministro, a medida vai incidir sobre investimentos de R$ 70 bilhões até 2014 e representar uma desoneração da ordem de R$ 4 bilhões. A proposta passará pela presidente Dilma Rousseff. A expectativa de Bernardo é de que ela opte por uma aprovação via medida provisória para que os investimentos possam ser antecipados.

A estratégia é desonerar investimentos inclusive em áreas onde estão usuários de maior poder aquisitivo, desde que haja, em paralelo, projetos com foco também em regiões menos habitadas e com população de baixa renda.

A decisão do governo caiu como uma luva para o discurso que o presidente da Oi, Francisco Valim, havia feito mais cedo. Em sua primeira palestra desde que assumiu o cargo, o executivo destacou incoerências no marco regulatório do setor, que cria obrigações para as concessionárias de telefonia e permite que outras operadoras escolham apenas as regiões de maior renda para oferecer seus serviços.

Valim frisou que o Brasil está entre os países onde há maior concorrência nas telecomunicações, mas apenas nas áreas que garantem maior retorno do investimento. "Existem dois mundos competitivos. É necessário haver competição de igual para igual", afirmou.

O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, propôs que as operadoras avancem no compartilhamento de suas redes para melhorar a eficiência dos investimentos. "Não vai haver problema de atendimento na Copa e na Olimpíada, mas esses investimentos podem ser feitos mais rapidamente", afirmou. Em sua avaliação, a competição entre as teles deve se concentrar nos serviços e aplicativos oferecidos por elas.

Para Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez (acionista da Oi), o compartilhamento não precisa se resumir à infraestrutura. O executivo sugeriu que as operadoras se unam para negociar, em conjunto, a compra de conteúdo audiovisual para seus serviços de TV por assinatura. "Vamos ter que fazer investimentos pesados. O jogo está começando agora", disse Azevedo. "A Oi tem que se transformar em uma companhia distribuidora de mídia. Banda larga é a palavra de ordem."

Banda larga é a palavra de ordem para todo o setor. Por trás das preocupações dos executivos está o crescimento exponencial do número de conexões de internet e do tráfego nas redes de dados - especialmente nas redes de telefonia móvel. Estudo da Ericsson aponta que haverá 2 bilhões de dispositivos conectados à internet móvel no Brasil em 2020. "Isso significa que vamos praticamente multiplicar o número de acessos que temos em nove anos", destacou Sérgio Quiroga, presidente da Ericsson para a América Latina e o Caribe.

Na mesma direção, Rodrigo Abreu, presidente da Cisco Brasil, afirmou que a companhia americana projeta um bilhão de dispositivos conectados no país até 2015, com uma média de três ou quatro aparelhos para cada brasileiro. "Até mesmo pela maior demanda potencial, o crescimento do volume de informações na internet no Brasil provavelmente será maior do que em paises desenvolvidos", observou. O número de dispositivos leva em conta os celulares usados pelas pessoas, mas também máquinas (carros, TVs e outros equipamentos) conectados à internet.

O barateamento da tecnologia vai ajudar as empresas nesse processo, mas é preciso que haja parcerias público-privadas, disse o presidente da Alcatel-Lucent, Jonio Foigel. "É preciso dar condições para o investimento ser feito", destacou o executivo, apontando também a redução de impostos e boas condições de competição como fatores importantes.

"A universalização não se resolve com menos de R$ 100 bilhões", observou o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. O parlamentar ressaltou que caberá às teles conduzir esse processo. Ele lembrou que a Telebrás terá só 160 municípios conectados à sua rede até 2014.

Diante desse cenário, Aluizio Byrro, presidente do conselho de administração da Nokia Siemens Networks, indicou a qualidade e a velocidade dos serviços entregues ao consumidor brasileiro como outra barreira a ser superada no mercado local. "Enquanto outros países projetam cobrir 100% de suas populações com uma velocidade média de 100 megabits por segundo, o Brasil ainda tem uma velocidade média abaixo de 2 mega", comparou.

Por Talita Moreira, Heloisa Magalhães e Moacir Drska | De São Paulo

Fonte: Valor Online - 13/9/2011

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