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Santos, SP/

11/07/2012

FHC critica adoção de medidas protecionistas

# Na avaliação do ex-presidente, governo Dilma Rousseff terá de conduzir as reformas necessárias para evitar a desindustrialização do Brasil

Denise Chrispim Marin, corresponente de O Estado de S. Paulo

WASHINGTON - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou nesta terça-feira as medidas protecionistas adotadas pelo governo de Dilma Rousseff como meio de evitar a desindustrialização, e sua insistência em denunciar uma inexistente "guerra cambial" promovida pelas economias avançadas.

FHC afirmou que as medidas de proteção comercial não são o caminho para o aumento da competitividade da produção brasileira, mas as reformas paralisadas desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "O governo Lula paralisou as reformas. O governo soprou a favor, e ele, em vez de usar um motor, usou velas. E velejou bem", afirmou FHC antes de receber o Prêmio John Kluge, concedido pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos a estudiosos da área de Ciências Humanas.

"Agora, (o governo Dilma) vai ter de voltar a mexer nessas questões para fazer frente a uma tendência real de desindustrialização. Devemos fazer de tudo para preservar a nossa indústria e mudar (o seu nível) de qualidade."

O momento, acentuou ele, requer decisões importantes para manter a indústria tradicional e/ou desenvolver novos segmentos. Mas, para tanto, será preciso tocar reformas capazes de reduzir o preço da energia elétrica, as deficiências da infraestrutura logística e a carga tributária.

Os sinais de alerta já estão dados, segundo ele, pela redução gradual do superávit comercial. Mas a via do protecionismo, escolhida pelo governo Dilma, "em vez de estimular a produtividade, protege a baixa produtividade".

Nos foros internacionais, o Ministério da Fazenda, Guido Mantega, cunhou a expressão "guerra cambial" para qualificar um dos efeitos da política monetárias dos EUA e da Europa. Ao injetar dinheiro nas economias, eles teriam desvalorizado suas moedas e, portanto, aumentado a competitividade de seus produtos e estimulado o fluxo de capital para países emergentes. A taxa de câmbio dessas economias, como a brasileira, acabou desfavorável para exportações. A tese de Mantega, entretanto, foi desconstruída por FHC. "Não há guerra cambial", afirmou.

Fonte: O Estado de S. Paulo - 10/7/2012

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