Clima e Previsão do Tempo
Santos, SP/

17/04/2012

EUA e Europa não têm culpa pelo real forte, diz Lagarde

- Para a diretora do FMI, política monetária dos ricos não é a principal motivação do fluxo de capital para os países emergentes

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo

WASHINGTON - Com uma leitura distinta daquela repetida pelos Brics (Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul), a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira, 16, não ser possível atribuir à política monetária dos Estados Unidos e da Europa a responsabilidade por gerar os enormes fluxos de capitais hoje direcionados aos emergentes.

No último dia 9, na Casa Branca, a presidente Dilma Rousseff reclamou ao líder americano, Barack Obama, do "tsunami cambial" provocado por medidas adotadas pelo Federal Reserve para estimular a economia do país.

"Não há evidência de essas políticas monetárias serem a causa direta dos fluxos de capitais para os países emergentes, como o Brasil. Podem ter tido um pequeno papel, mas não foram a maior motivação", disse Lagarde, em entrevista ao Estado e ao jornal italiano Il Sole 24 Ore. "As razões desses fluxos são a taxa elevada de retorno ao investimento, as perspectivas econômicas desses países e o aumento dos preços das commodities."

A seguir os principais trechos da entrevista:

A zona do euro gera preocupação pela ausência de crescimento. Qual é a sua avaliação?
- A zona do euro acumulou nível alto de endividamento e manteve crescimento ligeiramente menor do que as outras economias avançadas. Há 18 meses, os mercados e os investidores queriam o ajuste das contas públicas, para restaurar um perfil mais saudável da dívida. Agora, questionam como obter o crescimento em um ambiente de ajuste. A união monetária respondeu com um impressionante arsenal de medidas. Além dos compromissos fiscais e do fortalecimento de governança na zona do euro, houve programas nacionais, medidas inovadoras do Banco Central Europeu e 800 bilhões de euros em apoio potencial prometido pelos países da zona do euro. Ainda assim, os mercados continuam ansiosos, preocupados e hesitantes por causa da incerteza. Apesar de ter lidado inicialmente com a crise de forma fragmentada e sem resposta global, a Europa deu respostas sólidas nos últimos 18 meses.

Soou estranho a sua declaração sobre a construção de uma "muralha" do FMI de menos de US$ 500 bilhões. A sinalização de um volume menor se deve à dificuldade de o FMI reunir uma cifra mais robusta?
- Fiquei muito satisfeita ao ver o Brasil entre os primeiros países a anunciar sua participação na "muralha" do IMF. Avaliamos regularmente os riscos atuais e os potenciais de financiamento, dos dois anos seguintes. A última foi feita no final de dezembro e anunciada em janeiro. O tempo passou, estamos em abril, e a necessidade potencial de financiamento diminuiu porque alguns países europeus conseguiram assegurar mais da metade do que precisavam para 2012. Por isso eu digo hoje que a nossa necessidade é ligeiramente menor do que a estimada em janeiro.

O acordo sobre a "muralha" do FMI sai nesta semana?
- Como diretora-gerente do FMI, espero que tenhamos a massa crítica para esse acordo nesta semana. Mas estou disposta a dar mais tempo para a sua conclusão.

Os Brics se uniram para atacar a política monetária expansionista dos EUA e da Europa e acusá-la de gerar uma nova modalidade de protecionismo. A senhora concorda com essa premissa?
- Primeiro, o protecionismo deve ser evitado de todas as maneiras. As medidas monetárias adotadas pelos EUA e pela Europa foram necessárias para evitar a crise de liquidez, cujas consequências seriam muito mais negativas. Não há evidência de essas políticas monetárias serem a causa direta dos fluxos de capitais para os países emergentes, como o Brasil. Podem ter tido um pequeno papel, mas não foram a maior motivação. As razões desses fluxos são a taxa elevada de retorno ao investimento, as perspectivas econômicas desses países e o aumento dos preços das commodities. As medidas tomadas pelos governos para restringir e qualificar o volume de capitais são legítimas.

A China adotou uma banda mais ampla de variação da taxa de câmbio, É suficiente para o momento atual?
- O aumento da banda de flutuação do remimbi (moeda chinesa) é bem vinda e chega em um momento muito apropriado. Foi um bom passo no processo gradual de internacionalização da moeda e de abertura da conta de capital.

Fonte: O Estado de S. Paulo - 17/4/2012

Voltar

Leia também

CAFÉ: Cotações do café devem apresentar desvalorização no terceiro trimestre de 2022

ELEIÇÕES: Qual é a data do segundo turno das eleições de 2022?

COMÉRCIO EXTERIOR: Exportações superam as importações em quase US$ 4 bilhões em setembro

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site, de acordo com a nossa Política de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.