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Santos, SP/

13/01/2011

Escassez de comida e energia é risco para economia global

Quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)

Após um ano rompendo os recordes de alta, as commodities deverão ter uma década de preços voláteis, segundo estimativas dos economistas do Fórum Econômico Mundial (FEM).

"Devemos entrar em uma nova era de volatilidade de commodities, pela próxima década", afirma John Drzuk, CEO da empresa de consultoria Oliver Wyman, em teleconferência de lançamento do estudo Riscos Globais 2011, nesta quarta-feira (12/1).

O estudo mostra que a partir da metade da última década, os preços passaram de um cenário de relativa estabilidade a fortes oscilações - que, segundo a organização, será a "nova normalidade" para essas mercadorias.

Além da maior volatilidade das moedas, impulsionando os preços internacionais, a última década viu uma maior frequência de catástrofes climáticas ao redor do mundo.

Em 2010, os preços do café avançaram 77%, enquanto o milho avançou 52%. As commodities metálicas também tiveram forte alta, algumas acima de 50%.

O novo cenário é mais preocupante vendo as projeções da entidade. Até 2030, segundo o estudo, a demanda mundial por alimentos deve crescer 50%, enquanto a demanda energética deve se expandir em 40%.

Essa instabilidade é apontada como um dos principais riscos da economia global a partir deste ano. Outros riscos apontados no evento são a crise fiscal e a fragilidade dos estados.

O FEM aponta que, hoje, nenhum país desenvolvido possui um déficit fiscal menor que 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma dívida pública menor que 60% do PIB, critérios de sustentabilidade determinados como padrão para entrar na Zona do Euro.

"Hoje, nenhum estado desenvolvido possui uma situação fiscal sustentável", afirma Daniel Hoffman, economista chefe da Zurich Financial Services.

O FEM vê, com esses riscos, um aumento da tensão social em todos os países do mundo, além de uma vulnerabilidade "quase impressionante" a choques futuros. "O mundo não pode suportar os custos de uma nova crise global", afirmou Robert Greenhill, um dos diretores do FEM.

O risco de escassez de alimentos e energia leva a outras consequências. A entidade acredita em desordem social, tensões políticas e atos governamentais - como as restrições da Rússia às exportações de trigo em 2010. Para a organização, esses eventos podem piorar o problema em escala global.

Além disso, o FEM vê alto risco na proteção dos agricultores. Segundo a entidade, os países com maior produção agrícola não dispõem de proteção suficiente para catástrofes.

Segundo o FEM, os seguros tradicionais estão muito caros, e os agricultores responsáveis pela maior parte da produção mundial de alimentos estão expostos ao risco em um cenário volátil.

O relatório é lançado duas semanas antes do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, que será realizado em Davos, na Suíça entre os dias 26 e 30 de janeiro.

Fonte: Brasil Econômico - 12/1/2011

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