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Santos, SP/

22/03/2011

Escassez de água, ameaça cada vez mais próxima

Escassez de água, ameaça cada vez mais próxima

Editorial

Os rios da Amazônia, especialmente o Negro e o Solimões, formadores do Amazonas, protagonizam, em espaços anuais cada vez menores, um fenômeno ainda recebido com incredulidade por muitos brasileiros. Por volta de outubro seus níveis baixam consideravelmente, a ponto de prejudicar a navegação em alguns trechos, uma espécie de sinal de alerta para o risco evidente de grave crise de escassez de água no planeta.

A repetição desses períodos de seca com intensidade crescente se torna mais preocupante justamente pelo fato de a região ainda desfrutar da privilegiada condição de maior reserva de água doce da terra, tanto na superfície com uma bacia hidrográfica sem similar e subterrânea, com a descoberta recente do aquífero Alter do Chão.

O mal cujos sintomas iniciais começam se manifestar no Norte já evoluiu para um estágio muito avançado no Sudeste. No estado de São Paulo, o crescimento desordenado dos centros urbanos transformou grandes rios em esgotos a céu aberto, cujos tristes exemplos são o Tietê e o Pinheiros, na capital.

Mesmo em cidades menores, riachos são transformados em depósitos de lixo. Nas áreas rurais, programas como o de incentivo à produção de biocombustíveis com a consequente monocultura canavieira provocaram a destruição de matas ciliares, a extinção de nascentes e assoreamentos.

Numa tentativa de recuperar o tempo perdido algumas iniciativas começam a ser ensaiadas, como aumentar as tarifas pelo uso da água consumida nas cidades para evitar o desperdício. Em outra frente, está sendo ampliada a cobrança pelo uso das bacias hidrográficas, com a criação de comitês de usuários que estimulam o uso racional da água e a preservação dos mananciais.

Já são 16 baciais estaduais em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, onde a cobrança está implantada.

Uso industrial e em projetos de irrigação e consumo doméstico, todos em ascensão, estimulados também pelo crescimento econômico, lançam dúvidas sobre a eficácia de medidas que, na região mais povoada do país, chegam com muito atraso. E não dão bons motivos para a comemoração, hoje, do Dia Mundial da Água.

Fonte: Brasil Econômico - 22/3/2011
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