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Santos, SP/

05/12/2011

Entrevista – Gustavo Franco: “Influência política enfraquece o BC e tira a sua autonomia”

Elaine Cotta (ecotta@brasileconomico.com.br)
 
As decisões de reduzir a taxa básica de juros apesar de a inflação ainda estar em alta e fora da meta são criticadas por Franco.

Gustavo Franco foi um dos idealizadores do Plano Real, é professor de Economia e sócio fundador da Rio Bravo Investimentos.

Mas nesta entrevista, ele fala como ex-presidente do Banco Central, que vê a inflação como tributo disfarçado que incide especialmente na renda dos mais pobres, causando desigualdades e que, justamente por isso, tem de ser combatida. Ao citar Fausto, ele lembra que no Brasil a inflação é historicamente tolerada em prol de um bem considerado maior: o desenvolvimento.

"E isso não é bom", diz, ao analisar ações recentes do Banco Central.

- O senhor concorda com os cortes de juros apesar de a inflação ainda estar fora da meta?
É inegável que nos últimos anos o regime de metas foi enfraquecido, ainda que o jeitão da economia internacional e o desaquecimento economia brasileira podem ter dado lógica ao processo de redução dos juros.
A sensação que ficou foi de que houve influência política clara na decisão e que isso enfraqueceu o regime de metas e a autonomia do Banco Central.

- Isso não justificaria a queda?
O que a gente vê agora é uma combinação de política monetária numa versão expansionista e um controle fiscal que é quase mais expansionista que contracionista, adotado junto com medidas pontuais de estimulação da economia e do consumo como as da semana passada. E Isso tudo nos faz crer que estamos provocando inflação.

- Há quem defenda inflação em troca de crescimento maior...
A inflação é uma tributação disfarçada que incide especialmente nos mais pobres produzindo desigualdade e que a gente tolera em nome de um bem maior que é o desenvolvimento.
A gente tolera até a corrupção, o político que rouba mas faz. Ele é simpático, carismático e a economia vai bem, então pouco importa se ele é ladrão.
Nós, como sociedade, não estamos nos importando com os meios, desde que os fins sejam atingidos. E isso não é uma exclusividade brasileira.

- Os fins justificam os meios?
O mundo moderno tem essa característica. O que homem que realiza acaba sendo recompensado. A sociedade perdoa. É como Fausto que foi para o céu apesar de ter feito um pacto com o demônio.

- Isso vale para os governos?
Sim. A ideia do pacto (com o demônio) de Fausto é permanente para qualquer governo, que está sempre às voltas com medidas que precisam ser adotadas para se chegar ao progresso.

- Ou seja, todo governos tem, de certa maneira, um pacto com o diabo?
Sim, é claro que tem.

Fonte: Brasil Econômico - 5/12/2011

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