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Santos, SP/

24/10/2011

Entrevista – Brasil precisa melhorar sua imagem na área de negócios

Cláudia Bredarioli (cbredarioli@brasileconomico.com.br)

Para Tamer Cavusgil, o país não mostra em que área tem capacidade de ser líder além da relacionada a commodities.

Crítico à postura brasileira apresentada no âmbito do comércio internacional, o professor Tamer Cavusgil, da Universidade Estadual da Georgia, aponta que o Brasil aprimora bem mais sua imagem turística do que a condição de grande desenvolvedor de negócios.

Segundo ele, são necessárias mudanças radicais para que o país aproxime-se da estrutura que, por exemplo, a China tem criado para incrementar sua atuação global.

- O crescimento econômico dos mercados emergentes simultâneo à crise nos países centrais pode apontar para mudanças na ordem capitalista atual?

Os emergentes têm mostrado persistência em seu crescimento econômico. Isso começou com o processo de abertura de muitos mercados, legalizando o comércio, ampliando as negociações e, consequentemente, o consumo.

Esses países entraram de vez na dinâmica de construir uma indústria mais sólida, modernizar-se como nações, e alguns - especialmente na Europa - adotaram as privatizações para acelerar esses processos. Tudo começou em meados dos anos 1980, principalmente na Ásia, com Coreia, Filipinas e Tailândia, entre outros.

Também vimos esse modelo ser adotado na América Latina, em alguns países da África e até mesmo na Ásia central. Eles decidiram que a melhor maneira de sustentar-se economicamente seria por meio de um sistema de livre mercado.

- Isso significa diminuir o tamanho do estado?

Isso envolve rever as regulamentações. O estado tem de dar espaço para a economia.

- A Europa fez o mesmo?

Na Europa houve uma corrida para que todos estivessem dentro do ‘clube'. Isso incentivou que os países sem disciplina para administrar suas economias acabassem tomando dinheiro emprestado demais sem pensar que teriam que pagar de volta. Agora está claro que é preciso haver um limite para o quanto é possível emprestar.

- E agora está na hora de devolver esses empréstimos...

Agora está na hora de pagar por isso, mas os países não estão conseguindo. Os credores vão dizer: ‘apostar em você não é mais um bom risco, o dinheiro acabou'. Isso pode ocorrer não só na Grécia, mas em Portugal, na Espanha, na Itália, na Irlanda.

Em todos esses países é fácil identificar uma espécie de gasto irresponsável que deu muitos benefícios às empresas. Vai levar muito tempo para que esses países consigam pagar de volta tudo o que tomaram.

- Os países que o senhor aponta por estarem ‘um passo à frente' fizeram um grande investimento para transformar seus sistemas educacionais. É possível perceber a mesma iniciativa nos emergentes?

A área de educação no Brasil é grande, com muitas universidades, mas isso não responde às necessidades do país, não forma quadros técnicos suficientes. Já na China há um enorme investimento em educação.

E isso é um diferencial. Há muitos chineses estudando nas melhores universidades americanas. É preciso formar pessoas que se sintam confortáveis em fazer negócios em qualquer lugar do mundo, falem vários idiomas, especialmente o inglês.

- Isso prejudica a imagem brasileira para o comércio?

O Brasil é largamente querido em termos de mercado consumidor. Só que, enquanto a China tem se tornado um grande centro manufatureiro e a Índia se destaca no segmento de tecnologia da informação, o Brasil não mostra em que área tem capacidade de ser líder a não ser nas relacionadas às commodities. Claro que o Brasil é um centro de excelência em petróleo, em minerais e em grãos.

A Embraer é uma exceção. A Natura é outra. Mas a lista de empresas brasileiras com forte imagem no exterior é muito pequena e, por isso, o resto do mundo simplesmente não sabe o que o Brasil é capaz de fazer.

- Quais são os pontos positivos da imagem do Brasil como lugar de negócios?

Em relação à imagem nacional, o Brasil tem uma excelente percepção, muito melhor do que a chinesa, a indiana ou a turca. Neste ranking o Brasil está entre os 20 melhores, o que é mundo bom. O problema é a imagem corporativa, ninguém sabe listar várias empresas brasileiras.

O Brasil é conhecido por sua cultura, suas pessoas, suas belezas naturais e seu petróleo. Mas isso não é suficiente. O Brasil tem capacidade, mas não a utiliza. É preciso ação. O jeitinho brasileiro é antiprodutivo. O Brasil exporta jogadores de futebol, mas não executivos. Ninguém conhece um grande executivo brasileiro. Mas eles existem. É preciso que se reconheçam as celebridades econômicas, não só as relacionadas ao futebol.

Fonte: Brasil Econômico - 24/10/2011
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