24/01/2011

Empresas na internet são viáveis, mas falta inovação

Felipe Peroni   (fperoni@brasileconomico.com.br)

Sob a insegurança de uma iminente versão 2.0 da bolha da internet em Wall Street, jovens brasileiros precisam atravessar um árduo caminho para conquistarem investidores com novos projetos.

Com o aumento de investidores procurando negócios, jovens empreendedores se animam a fazer sua própria empresa na internet. A atitude, que é tradição nos Estados Unidos, começa a pegar por aqui.

No entanto, as oportunidades ainda estão fechadas para o surgimento de inovações de grande porte - não é agora que veremos o surgimento de um Google brasileiro.

"O Brasil não tem espaço para inovações disruptivas, como um Twitter", afirma Gustavo Caetano, fundador da Samba Tech, um dos casos de sucesso de startups - projetos embrionários de empresas de tecnologia. Ele participou da Campus Party 2011 que está ocorrendo nesta semana em São Paulo.

De acordo com Caetano, é impossível obter fundos para manter um projeto sem receita durante anos, como ocorreu com o Twitter. Como o financiamento bancário é inviável, a opção das startups é com investidores anjos (financiadores que fazem aportes com recursos próprios em empresas embrionárias) ou com Venture Capital - os chamados fundos de capital de risco, que compram participação em empresas com potencial de crescimento.

Para os jovens empreendedores, adaptar um plano de negócios bem-sucedido no exterior é talvez a única maneira de fazer um projeto decolar. Não apenas na hora de buscar clientes, mas na hora de convencer os investidores a fazerem aportes.

"Tem que pegar experiências que deram certo e tentar adaptar à nossa cultura", afirma Caetano.

Cem milhões de transmissões

A Samba Tech surgiu como uma empresa que fabricava jogos para celular. Através de um contato de seu pai, Caetano obteve aporte de um "investidor anjo".

A empresa logo mudou de rumo e focou em fornecer todos os serviços de armazenamento e transmissão de vídeos na internet, tendo atendido clientes como SBT, R7, Editora Abril. O modelo de negócios é on demand - conforme o cliente usa o serviço, cresce a conta. Uma ideia adaptada do exterior com sucesso. Hoje a empresa entrega 100 milhões de vídeos por mês. "Vimos que vídeo ia bombar muito mais", lembra.

A idéia inicial de Caetano era vender para grandes clientes que garantissem uma receita alta e ainda atraíssem investidores. Agora, com a possibilidade de multiplicar o fornecimento a um custo adicional baixo, a nova estratégia é gerar escala.

"Em vez de correr atrás de grandes contas, correr atrás de vários pequenos clientes."

"Copiem, mas evoluam"

Para Daniel Izzo, co-fundador do fundo Vox Capital, que aplica recursos em startups empenhadas em projetos para a baixa renda, não há problema em adaptar um sistema que já existe, desde que atenda ao modelo de investimento do fundo. "Copiem, mas evoluam", afirma.

A Peixe Urbano é um bom exemplo de adaptação. A companhia trabalha com compras coletivas, oferece produtos, geralmente serviços (combustível, viagens, restaurantes) com descontos de 50% a 90%, pela internet. O alto volume de vendas permite obter os descontos com as empresas.

Muito semelhante ao site Groupon, dos Estados Unidos, o desafio é diversificar. "Se oferecemos Pizza Hut toda semana, o site perde identidade", afirma Júlio Vasconcellos, fundador da Peixe Urbano.

Vasconcellos explica que a maior dificuldade foi conseguir o impulso inicial. Para ter um bom número de ofertas, era necessário apresentar um número razoável de clientes cadastrados. "Foi difícil superar esse gargalo".

Faltam novas ideias

Apesar da dificuldade do surgimento de grandes inovações, os investidores reclamam da falta de opções viáveis. Prova disso é Diego Gomes, editor do site especializado ReadWriteWeb, que diz receber diariamente vários projetos novos. Ele cita os mais manjados: "Aplicativo de twitter, monitor de mídias sociais, encurtador de URL".

Os financiadores são exigentes para fornecer um aporte, e assumem que a cada 100 projetos analisados apenas um é selecionado.

O principal problema encontrado é a falta de noções de gestão. "É preciso saber se o modelo de negócios para em pé", explica Daniel Izzo. Para o gestor, é requisito para a startup ter uma rede de usuários para chamar atenção a uma segunda conversa.

Com a necessidade de começar já com uma maneira de fechar as contas, não são poucos os que mantém uma fonte alternativa de receita antes que a startup decole. Marco Fisbhen mantinha uma produtora enquanto desenvolvia a Descomplica - site com vídeos educacionais focado em pré-vestibular, mantido com assinaturas. O site é movido com a tecnologia da Samba Tech.

Outra dificuldade é encontrar um empreendedor confiável. "Você está sendo sócio dessa pessoa por alguns anos", diz Emerson Duran, diretor da gestora Confrapar.

Para os fundos mais sofisticados, como os de Venture Capital, é necessário ter os pés no chão para fechar as contas. "O Venture Capital tem que responder aos investidores, às autarquias reguladoras, muita gente", explica Humberto Matsuda, sócio da Performa Investimentos.

Fonte: Brasil Econômico - 24/1/2011
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