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14/06/2012

Empresas buscam mais diversidade entre os trainees

# Grupos como a multinacional Unilever passam a valorizar mais a experiência de vida ao selecionar jovens talentos

Inglês fluente, experiência no exterior e formação em universidade de alto nível. O perfil dos aprovados em programas de estágio e trainee começa a ser desafiado no País. Na Unilever, a instituição de graduação e o domínio de idiomas já não são pontos de corte. "O conhecimento técnico é secundário no início de carreira. Queremos saber quem tem valores que podem contribuir para a cultura da empresa", explica Jessica Hollaender, diretora de RH da Unilever Brasil.

A valorização da diversidade na seleção de jovens talentos, porém, não é a regra da maioria das empresas. De acordo com Fernanda Bueno, gerente de projetos da consultoria Across, não basta o RH recomendar a contratação de profissionais com diferentes experiências de vida. É preciso que gerentes e diretores estejam abertos para essa nova realidade. Na Unilever, os executivos demonstraram em uma pesquisa o interesse em ter um perfil socioeconômico mais amplo dentro da empresa.

Por trás dessa solicitação estão necessidades práticas da empresa, cujo resultado está diretamente ligado ao interesse do consumidor em comprar seus produtos. Um profissional que tenha passado, em algum momento da vida, por uma dificuldade típica do consumidor de classe C provavelmente terá mais facilidade em desenvolver produtos voltados a esse público. É o que ocorre com a coordenadora de marketing Aline Preto, 26 anos. "Tive de priorizar a renda e tenho clareza dos limites do cliente. Isso pode contribuir numa estratégia de lançamento de produto."

Aline entrou na Unilever por meio de um programa que seleciona potenciais talentos por meio de um trabalho conjunto com organizações não governamentais. Ela tinha 19 anos e fazia um "bico" em uma das ONGs participantes quando foi indicada para receber uma ajuda de custo de um salário mínimo e ter o cursinho pré-vestibular pago pela empresa. A ajuda, recebida durante quatro anos, permitiu que ela trocasse o curso de secretariado pelo de relações públicas. No terceiro ano de universidade - ela passou na USP -, entrou na empresa como estagiária. Agora, participa da elaboração de estratégias de marketing para o sabonete Lux para a América Latina.

Ambição. O desenvolvimento de programas mais inclusivos pode ser, na visão de executivos, uma forma de encontrar profissionais de um perfil de renda mais baixo com ambição de crescimento profissional. "Quando disputei meu primeiro emprego em multinacional, na Souza Cruz, concorri com pessoas que tinham mais preparo e eram fluentes em vários idiomas", lembra Felipe Araujo, 41 anos, hoje diretor do centro de excelência da América Latina da Kraft. "Mas eu estava concentrado no processo seletivo e consegui a vaga", diz.

Araujo começou trabalhar aos 12 anos, na loja de doces do pai, que morreu menos de um ano mais tarde. A mãe, funcionária concursada do antigo Banespa, passou a sustentar a família sozinha. Na adolescência, o hoje executivo passou por vários empregos: office-boy, ajudante em banca de jornal e pizzaiolo. Arranjou uma bolsa em um cursinho gratuito da USP e passou no vestibular de engenharia de produção. Desde então, galgou posições em diversas empresas de grande porte. "Sempre me ajudou o fato de que, desde pequeno, eu sempre me vi numa cadeira de executivo."

Informação. Outro fator que favorece a mudança do perfil socioeconômico dos aprovados para programas de estágio e de trainee é a democratização do acesso à informação, na opinião do consultor Carlos Eduardo Altona, da empresa Exec. "Com a popularização do acesso à internet, essa disparidade entre as classes ficou muito menor", diz o especialista. "Apesar da qualidade variar, o acesso a cursos de graduação e pós-graduação também aumentou muito."

Para o consultor, o candidato em início de carreira precisa mostrar disponibilidade, resiliência e competitividade - características valorizadas dentro de qualquer empresa. Altona afirma que a necessidade do domínio de línguas e de experiência internacional é algo que só será realmente exigido do profissional quando ele chegar a cargos de gerência - antes desse ponto, a pessoa poderá correr atrás de suas deficiências.

Hoje diretora de RH da Unilever para a América Latina, Lucyane Rezende, 37 anos, conta que conseguiu fazer um intercâmbio nos Estados Unidos com as economias que reuniu na época de estagiária. "Juntei dinheiro para o curso e fiquei hospedada na casa de amigos", lembra. "Negociei 40 dias de férias e até hoje agradeço ao colega que se ofereceu para pagar minha passagem com as milhas dele."

Fonte: Estadão / 14/6/2012

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