03/05/2011

Empreendedores do Brasil com “z”

Marcelo Nakagawa - Consultor e professor de empreendedorismo e inovação

Meu livro sobre planos de negócio acabou de chegar às livrarias. Como tenho consciência de que não sou nenhum Paul Rabbit para ficar rico vendendo livros, não vou gastar o seu e o meu tempo dizendo "compre meu livro".

Porém, se você tem um negócio, deve saber planejá-lo pois nosso país está se tornando o "Brasil com Z", como diz Romeo Busarello, amigo e melhor professor de marketing que conheço.

This new Brazil is demanding professionally managed companies. The core skill of this new generation of companies is formal planning. And the basic tool of formal planning is a business plan!

Se concordar com a frase acima, você não precisa parar na livraria para folhear meu livro. Há vários outros que falam disso. E se buscar na internet, encontrará muitos artigos e guias sobre o assunto, tudo free. Porém, reflita que 99,9% das empresas não tinham um plano de negócio quando começaram, mas quase 100% dos negócios de grande porte tem um para direcionar seu crescimento.

O parágrafo acima em inglês macarrônico é fundamental para as empresas existentes, mas está longe de ser viável para startups. O plano de negócio nasceu para ser utilizado em grandes empresas, mas muitos tentam empurrar a mesma fórmula genérica para os empreendedores de primeira viagem.

Isto não quer dizer que o plano de negócio é inútil para negócios nascentes. Howard Schultz, do Starbucks, escreveu um. Gordon Moore e Robert Noyce, da Intel, tinham uma (só uma) página datilografada que chamaram de plano de negócio. Fred Smith da Fedex e Phil Knight da Nike elaboraram um na faculdade. Faltam poucos para completar o 0,01%.

E os demais, não planejaram seus negócios? Quando Salim Mattar da Localiza Rent a Car dormia no sofá da sua primeira loja em 1973 só para oferecer um serviço 24 horas, será que ele não planejou aquilo? Ou quando Miguel Krigsner do Boticário optou por colocar sua segunda loja no aeroporto de Curitiba apenas para incentivar os passageiros e tripulantes a disseminar seus produtos em outras cidades, será que ele não planejou isto?

Mattar, Krigsner e os outros 99,9% dos empresários optaram por planejar seus negócios por effectuation. O termo foi criado pela professora Saras Sarasvathy, da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, mas sua explicação é óbvia.

No effectuation, o empreendedor não faz pesquisa de mercado para descobrir a melhor oportunidade, ele lança um negócio a partir de quem ele é, o que sabe fazer e quem está em sua rede de relacionamentos. Ele faz estimativas financeiras para maximizar retornos, mas uma "conta de padeiro" para entender que, se perder tudo, continuará "vivendo".

No effectuation, o empreendedor não espera até o momento de reunir todas as condições ideais esperadas para o lançamento do negócio, ele já começa a vender o produto, mesmo que em versão beta. No meio do caminho vai fazendo os ajustes demandados pelo mercado e surpreendendo com uma inovação aqui e ali.

Porém, o effectuation pode ser útil para startups, mas perde sua utilidade quando a empresa cresce e passa a pertencer ao "Brasil com Z". Neste caso, é o planejamento formal que tornou a lojinha do sofá a maior locadora de automóveis e a lojinha do aeroporto de Curitiba na maior rede de franquias de perfumaria e cosméticos... worldwide.

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Marcelo Nakagawa é consultor e professor de empreendedorismo e inovação

Fonte: Brasil Econômico - 3/5/2011

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