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30/05/2012

Empreendedor estrangeiro descobre o potencial do Brasil e investe em pequenas empresas

# Consumo em alta e estabilidade econômica atraem empresários da Europa e dos Estados Unidos para o País

LIGIA AGUILHAR, ESTADÃO PME

Eles são jovens, formados nas melhores escolas de negócios do mundo e poderiam trilhar carreiras de sucesso em seus países de origem, não fosse a vontade de empreender e criar empresas com alto potencial de crescimento em economias emergentes. Em comum, escolheram como destino o Brasil.

Esse é o perfil dos empreendedores estrangeiros que, atraídos pelo crescente mercado de consumo e pela estabilidade econômica, chegam em número cada vez maior ao País. A escolha é baseada na visão de que o Brasil é hoje o mais amigável, menos problemático e com maior qualidade de vida entre os Brics (que inclui também Rússia, Índia, China e África do Sul).

“O Brasil é considerado a nova China, mas com menos problemas”, afirma Patrick de Laive, fundador do The Next Web, um dos maiores eventos de tecnologia ligada ao empreendedorismo do mundo e que realiza sua primeira edição no País em agosto.<IP> Nesse cenário, sai de cena o litoral carioca, o samba e o futebol. Esses estrangeiros estão mais interessados em São Paulo, que surge como o centro de um emergente e empolgante mercado de startups.

A crise econômica, que afeta principalmente a Europa e os Estados Unidos, é outro fator que estimula esse novo fluxo de imigração. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no ano passado, as autorizações para estrangeiros trabalharem no Brasil cresceram 25,9%, chegando a 70.524 vistos concedidos. Desses, 1.020 eram pessoas que vieram ao País abrir o próprio negócio. Sozinhos, eles investiram R$ 204,2 milhões, quase 20% a mais que os R$ 170,3 milhões aplicados em 2010.

A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 também funcionam como atrativos para os empreendedores estrangeiros, mas são os números do mercado de mobile e internet que fazem os olhos do investidor brilhar.

Só no ano passado, o comércio online brasileiro cresceu 43% e movimentou US$ 25 bilhões, segundo estudo da América Economia Intelligence. Já a venda de celulares com acesso à internet aumentou 115% entre janeiro e novembro de 2011, chegando a 8,27 milhões de unidades.

Não é à toa que a maior parte desses estrangeiros optou por negócios na área de tecnologia. Um dos casos mais bem-sucedidos do ramo é o dos norte-americanos Kimball Spence-Thomas, 32 anos, e Davis Marston-Smith, 33, fundadores do site de produtos para bebês Baby.com. Formados em administração de empresas pelas universidades de Warthon e Harvard, ambas nos EUA, eles conquistaram o apoio dos fundos Monashees, Tiger Global e Ron Conaway.

A ideia do Baby.com surgiu quando a dupla descobriu que as brasileiras viajavam até Miami para comprar o enxoval dos filhos. Um estudo mostrou para a dupla que até o trânsito caótico de São Paulo era uma oportunidade. “Qual mãe pode enfrentar esse trânsito com um filho pequeno? É mais fácil entrar em um site e comprar”, diz Davis.

Em outubro do ano passado, a dupla de empresários mudou-se com as respectivas famílias para o Brasil. “O e-commerce brasileiro está dez anos atrasado em relação aos Estados Unidos, mas com potencial para alcançar o mesmo grau de maturidade na metade do tempo”, diz Kimball. “Vimos a oportunidade de crescer rápido na internet por termos uma visão melhor desse mercado”, conclui.

O suíço Nicolas Gautier, 33, trocou Londres pelo Brasil para atuar como investidor-anjo. Mas em seis meses ele já possui outros dois negócios. Uma incubadora de empresas e a startup Já Na Mesa, delivery de comida pela internet. “O Brasil tem marcas muito consolidadas, o que fez a indústria estagnar e ter pouco grau de inovação. A abertura de startups aumenta essa concorrência.” Já o holandês Pieter Lekkerkerk, 36, está há cinco anos no Brasil e por isso sabe que o País não é para iniciantes. “Existe um bom mercado, mas que exige também uma boa ideia”, afirma o dono da corretora online Escolher Seguro.

Mas os empreendedores (estrangeiros e brasileiros) precisam também de muita paciência, afinal, o sistema tributário, os custos para contratação de funcionários e a burocracia dificultam as coisas por aqui. “Tudo é taxado. Se não fosse tão difícil, certamente haveria mais gente investindo”, afirma em bom português o suíço Vincent Daranyi, 33 anos, co-fundador da Dafiti e também criador da Tá Claro, corretora de seguro online com foco na expansão da classe.

Fonte: O Estado de S. Paulo - 30/5/2012

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