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Santos, SP/

05/07/2011

Eles estão entre nós. Mas você os reconhece?

Marcelo Nakagawa - Consultor e professor de empreendedorismo e inovação

Na última semana fui ao Rio de Janeiro só para renovar meu visto para os Estados Unidos. Não consegui agendar em São Paulo, onde moro, mas tinha urgência pois preciso acompanhar alguns alunos em um curso na Babson College, a principal escola de empreendedorismo do mundo.

Já no avião, fiquei feliz com o lanche quente, a tela de LCD individual que só encontramos nos voos internacionais e principalmente com o ganchinho para pendurar o blazer.

Enquanto decidia entre um filme ou um episódio do The Big Bang Theory, fiquei imaginando o que seria do mundo sem os empreendedores. Um tirou o lanche quente e nos deu amendoins e barras de cereais e estávamos contentes.

Agora, outro traz de volta o lanche quente, cobra mais barato e ainda nos dá a opção de ficar refletindo sobre o significado de bazinga. Sem contar o super útil ganchinho.

Lembrei da teoria da visão seletiva na qual só vemos o que queremos ver. Um matemático vê a matemática em tudo e a quantidade de grávidas aumenta consideravelmente para outras grávidas.

Eu como professor e consultor de empreendedorismo, tendo a reconhecer meus alunos e empreendedores em diversas situações.

Pensava nisto enquanto tentava descobrir qual praia era aquela que estava a 8.500 metros abaixo do avião, quando o caderno do executivo do banco da frente caiu. Abaixo para pegar e devolvê-lo quando vejo na sua capa o logo da Amyris.

Fiquei espantado, pois estava pensando na minha visão seletiva naquele momento e a Amyris é uma das novas empresas com uma trajetória fascinante, desde a sua fundação pelos pesquisadores Kinkead Reiling, Neil Renninger e Jack Newman, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e aporte inicial da Fundação Bill & Melinda Gates até os dias atuais em que a empresa é uma das líderes em combustíveis sintéticos. Devolvi o caderno e já era hora do avião pousar.

Depois de 3 horas de fila no consulado e 3 minutos de entrevista, lá estava eu de volta na fila do embarque pensando no motivo de ter trazido um blazer ao Rio de Janeiro, afinal ele ficou no ganchinho ou na minha mão o tempo todo. Mas aí vem a tal visão seletiva e lembro do Donald Fisher que junto com sua esposa Doris tinham criado a Gap, marca do meu blazer.

Como um casalzinho de San Francisco criou uma marca tão querida a ponto de causar uma celeuma quando mudaram o logotipo da empresa em 2010? Diante das críticas, retornaram ao antigo.

Quando levanto meus olhos para entregar o bilhete de embarque, noto um senhor de terno e gravata no meio das atendentes. Ele também estava verificando os documentos.

Ninguém dos mais de 100 passageiros nota nada de estranho e tratam o senhor como mais um que verifica um bilhete aéreo.

Mas a minha visão seletiva estava ligada. Fiz questão de passar por ele. Quando chegou a minha vez, perguntei: "O senhor não é o fundador da Avianca?" Muito gentilmente, conferiu o bilhete e meu RG e respondeu: "Não, senhor Marcelo. Sou apenas uma pessoa que está ajudando a conferir os bilhetes".

No ônibus em direção à aeronave, digito "fundador Avianca" no Google Images. E não é que aparece o tal senhor? Mas ele estava certo. Não era o fundador. Mas era o dono. Mas eu ainda continuo vendo empreendedores e alunos. Este que aparece na reportagem ao lado foi meu aluno. E dos bons!

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Marcelo Nakagawa é consultor e professor de empreendedorismo e inovação

Fonte: Brasil Econômico - 5/7/2011
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