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04/03/2022

ECONOMIA: Política industrial moderna é desafio, diz Fiesp

Fonte: Valor Econômico

O ano de 2022 será difícil para a indústria de transformação. Num momento de esperada contração da produção e do Produto Interno Bruto setorial, o grande desafio será empreender uma política industrial atual, que leve em conta práticas ESG, de sustentabilidade e de descarbonização, afirma Igor Rocha, novo economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A guerra entre Rússia e Ucrânia pode ainda adicionar mais dificuldades ao setor, em um cenário de novas altas de preços das commodities e de mais alta no juro, avalia.
Em sua entrevista no novo posto, Rocha, 36 anos, prevê que, depois de 2021 “atípico”, de recuperação e preço das commodities em patamar elevado, 2022 se imponha com um cenário totalmente distinto.

“Embora em alta, os preços das commodities estão em patamar menor. As economias e o Brasil já passaram pelo efeito de recomposição estatístico que tivemos no ano passado. E, por fim, temos arrocho monetário muito forte. A indústria de transformação é sensível a juros, pois tem causalidade forte com crédito”, diz, de sua sala no 13º andar da Fiesp, onde chegou há menos de um mês.

“Estamos com perspectiva de queda de 1% produção industrial e o mesmo para o PIB da indústria de transformação. O que precisamos fazer? Ter um plano delineado para a indústria de transformação. Quando falamos de política industrial estamos falando de uma política industrial moderna, pautada nos pilares ESG, na sustentabilidade, focada nos setores de média e alta tecnologia, que são os que têm maior potencial verde. A descarbonização também precisa estar na agenda, para termos alinhamento com as melhores práticas que ocorrem hoje”, continua.

Rocha, que foi escolhido pelo novo presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, para substituir o economista André Rebelo, afirmou que a agenda sustentável na indústria é um movimento global, do qual o Brasil não conseguirá escapar. “E quando falamos de investimento verde, seria em setores de média e alta tecnologia, com menor nível de emissões, e também dos maiores multiplicadores economia”, argumenta. “Um seria o setor da saúde, intensivo do ponto de vista da tecnologia. O outro, da mobilidade urbana, com eletrificação de carros e veículos pesados. E, por último, o setor de infraestrutura. Temos um problema de competitividade porque não há infraestrutura adequada para isso.”

Ele argumenta que política industrial hoje não é a mesma que vigorou até os anos 1980, com foco na substituição de importações. “É uma transição de setores de média tecnologia à economia verde, pautada nos pilares ESG, na integração de maior agregação das cadeias globais de valor, voltada para esse movimento simbiótico dos setores de serviços, infraestrutura e agricultura. Ou seja, uma coisa muito mais complexa do que era o movimento de protecionismo de substituição de importações”, afirma.

O peso dos reflexos da invasão e dos ataques da Rússia à Ucrânia para a economia global e para alguns setores ainda não são totalmente claros, mas o economista destaca um dos riscos mais visíveis. “O mundo vive um momento de alta da inflação. Com o conflito, a depender da intensidade e extensão, os preços poderiam ser ainda mais pressionados. O reflexo nos preços das commodities no primeiro dia de conflito traz essa preocupação. Os bancos centrais ao redor do mundo podem subir ainda mais os juros”, apontou. “No Brasil não seria diferente num eventual quadro de surpresa negativa na inflação. O risco é o BC elevar a Selic para patamares ainda mais altos [do que os 12,25% esperados] e por mais tempo. Tal cenário é extremamente adverso à indústria de transformação.”

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